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amostra gratuita de uma identidade

Luciana Kuchiki Vilar

Observadora atenta do ser humano e do fluxo do comportamento do mundo.
Vive numa eterna descoberta de si mesma e na busca do equilíbrio constante. Questionadora por profissão. Racional e passional. Design de moda é apenas uma das suas facetas, também escreve sobre comportamento, tendências, universo feminino.....Sua identidade está sempre presente no seu blog rgproprio.wordpress.com

Qual o seu sonho de consumo?

Esta ainda continua sendo uma pergunta frequente entre muitos de nós. São tantos sonhos: uma casa, um carro, uma joia, uma roupa de grife, uma viagem perfeita. Temos a necessidade de sonhar com alguma coisa para comprar. Comprar um sonho, que se materializa quando se torna palpável, sonho realizado traz felicidade, ser feliz momentaneamente e sonhar com mais alguma coisa para consumir. Ei pera aí, mas felicidade também se compra? Aonde? Em uma loja ou em uma farmácia?


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Ao que parece, a felicidade é um produto intangível. A sociedade acredita que podemos sempre consumir felicidade em pequenas doses, com coisas e coisinhas a serem compradas. E conseguimos chegar aonde chegamos. Uma sociedade excessivamente consumista que foi adestrada para consumir, consumir, consumir e que através deste padrão seria feliz.

Mas a realidade é bem diferente do sonho que nos foi vendido.

O mundo atual não suporta mais tanto excesso, tanta produção industrial, tanto lixo fabricado. Estamos em colapso. Existe a necessidade urgente de uma mudança de comportamento. Por quê? Para sobrevivermos em um futuro próximo. Menos é mais passou a ser a tendência da vez.

Uma das grandes colaboradoras deste processo consumista é a indústria da moda. A fada-madrinha que pode transformar sonho em realidade. Uma efêmera usina de criações mirabolantes na qual o mais importante é o consumo imediato e desnecessário. Criadora da ilusão do glamour e do luxo como fonte de desejo da maioria dos mortais que querem ser incluídos e ter status.

Ainda sob essa visão antiquada, a indústria fashion consegue arrebatar milhões de pessoas no mundo, tendo como protagonista o consumismo. A felicidade torna-se possível, acessível e ainda, pode ser dividida no cartão de crédito. A estrela desta moda é o fast fashion, democrática e atualizada, pode ser comprada por qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta, o que se desfila nas passarelas mais chiques das marcas mais famosas das cidades mais badaladas do mundo.

Conhecida pela produção em larga escala, mão de obra altamente explorada (até mesmo escrava), e reprodução do design de grandes estilistas. Também é sinônimo de uma moda descartável, essencialmente acessível, com preços módicos. O que nos leva a um consumo desenfreado. Quem nunca? Quantas vezes já compramos alguma coisa em liquidação sem nunca ter precisado e consequentemente, pior, nunca ter usado. Será que você também não tem alguma peça de fast fashion, novinha ainda com a etiqueta, aí no seu guarda-roupa?

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“É uma moda que dura pouco, principalmente na vitrine. A loja se abastece de novidades semanalmente. Trabalham com estoque pequeno e muita diversidade de modelos, criando a sensação de que você precisa comprar a roupa já, porque ela vai acabar. E acaba mesmo.” Enrico Cietta, economista italiano, autor do livro ''a revolução do fast fashion''

Uma moda feita para não sobreviver, para banalizar. Em um pequeno espaço de tempo, um abastecimento de novidades e escalonada de cima para baixo, ou seja, reprodução de grandes marcas. Roupa sem um contexto.

Mas a moda já nos ensinou que é um movimento que vem das ruas, não o contrário.

E nesta onda cresce o slow fashion, sinônimo de escolhas conscientes, avessa aos excessos. Este novo conceito surge como um alento para quem já tem uma percepção diferenciada de comportamento, uma nova mentalidade e cria uma perspectiva positiva em relação ao futuro. O significado é o contrário do que praticamos, ou seja, diminuir o consumo, evitar demasias, desacelerar o ritmo.

A intenção é fazer melhores escolhas! Ter um ponto de vista diferenciado sob a indústria da moda; onde a integridade do meio ambiente esteja garantida, onde se construa uma relação mais justa com a parcela que executa a produção, onde se possa ter um olhar para o “local”, e onde se possa ter a geração de novas alternativas de consumo.

O objetivo é transmutar o raciocínio, despertar a consciência para o novo. Ter o conhecimento dos impactos negativos que o consumismo gera para o planeta. Ter a percepção, de que, quem compra também tem responsabilidade por aquilo que consome. Ter um consumo objetivo e reduzido.

Impossível? Com certeza não!

Existem profissionais criativos que acreditam nesta nova plataforma e agem de acordo com o slow fashion. Aqui no Brasil e fora dele, há muitos exemplos e nomes de respeito a serem seguidos.

"Buy less, choose well, make it last." Vivienne Westwood

A inclinação do comportamento coletivo é o de começar a repensar seus atos consumistas; seu compromisso com a origem de um produto, durabilidade e descarte; sua necessidade de possuir o que realmente precisa; e sua capacidade de restaurar algo já utilizado. A partir desse novo raciocínio surge uma nova fonte de pensamentos de uma sociedade que quer fazer algo novo e diferente do que tem sido feito.

Parece algo difícil de imaginar, mas pequenos e importantes grupos estão começando a realizar suas criações de um modo sustentável e menos nocivo. Percebendo essas movimentações o mercado terá que se adaptar ao novo. O consumidor é quem vai estabelecer esses novos padrões, a partir do momento que informar-se, reivindicar uma cadeia produtiva socialmente justa e sustentável, e só então partir para a aquisição de um produto. Valorizar o local também faz parte deste contexto, através de uma produção menos acelerada, sem a necessidade de ultrapassar limites, pode-se produzir em menor escala com uma maior durabilidade. Este é o caminho a ser trilhado.

Podemos acreditar que num futuro próximo vamos consumir menos e nos conscientizar de que a felicidade não está à venda! E lembrarmos constrangidos do que um dia já causamos contra nós mesmos.


Luciana Kuchiki Vilar

Observadora atenta do ser humano e do fluxo do comportamento do mundo. Vive numa eterna descoberta de si mesma e na busca do equilíbrio constante. Questionadora por profissão. Racional e passional. Design de moda é apenas uma das suas facetas, também escreve sobre comportamento, tendências, universo feminino.....Sua identidade está sempre presente no seu blog rgproprio.wordpress.com.
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