risos

porque as lágrimas eu deixo pra depois

Caroline Neres

Encantando-se facilmente com folhas caídas, algodão-doce e as belezas recônditas das coisas mais simples.

pela brisa que afaga enquanto estou à margem do mundo

só para quem ama seus abismos.


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Eu jamais pensaria que um dia a verdade seria insuficiente, mas ela é. O leve pensamento de que com ela poderíamos viver melhor é vão e, vamos lá, mentiroso. O que se vive hoje não é mais o que se viveu ontem e, com isso tudo, o que sentimos hoje jamais será o que sentiremos amanhã. E a cada chuva, a cada temporal, há uma transformação, para melhor ou para pior, a depender do que você permitir, uma escolha que nem sempre se faz com o dedo em riste, mas que com certeza se faz.

Por vezes somos surpreendidos por terremotos, grandes avalanches, que nos deixam com uma dificuldade para respirar, com o coração debilitado, com olhar triste e abatido. Não é nosso papel culpá-las, mas tão somente encará-las. Sentir o vento forte balançando os velhos medos e deixar que se vá aquilo que já não te pertence mais.

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Aproveitar o embalo para se despir e seguir assim, nu, por este cenário aparentemente devastado, que só é devastado para quem deste modo o deseja enxergar. Na vida se tem muito disso, desse lero, o constante pular da cama elástica, onde uma hora se está em cima, outra hora se está embaixo. E nisso a gente até que aprende. Aprende a respirar, a falar, a deixar de falar, a caminhar sobre as pedras, a enfrentar a correnteza, a não perder tempo sentado reclamando da paisagem. Porque ficar com o coração acelerado só vale a pena se for pelas belezas da vida. Pelas tristezas a gente faz um silêncio que basta.

E para mim que tanto amo, que guardo em mim um pulsar infinito de sensações, que gostaria de morar no abraço, de viver de amassos, para mim, este ser que tanto poetiza com as próprias lágrimas e que sabe o verdadeiro sabor de um sorriso, sei que a vida não espera, que o agora me exige, que café requentado é para quem não soube beber a tempo, que café requentado é uma esperança malograda.

E aqui ainda mais uma frase, porque agora a alma flui pelo sangue, vagueia sem medo, o coração já está desacelerado e um espécie de centelha de alegria traz agora um sorriso de canto ao meu rosto.


Caroline Neres

Encantando-se facilmente com folhas caídas, algodão-doce e as belezas recônditas das coisas mais simples..
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