rosa púrpura do cairo

Cinema e outros balangandãs

Marília Amora

Cinema, literatura, música e brigadeiros - não necessariamente nesta ordem - me fazem feliz. Adoro gente que me faz rir e abomino sectarismos de qualquer espécie.

Moreno, alto, bonito e sensual

E quando são os homens que interpretam um sedutor irresistível no cinema?


A exibição do corpo feminino como objeto do desejo no cinema existe desde os seus primórdios. Estamos acostumados a mulheres que seduzem seja tirando apenas uma luva, como Rita Hayworth em “Gilda”, seja com a exposição total do corpo como fez Dakota Johnson em “50 tons de cinza”. A plateia masculina sempre se fartou com as Marilyns, as Bardots e outras tentações da sétima arte.

Já a questão do “homem-objeto” aparece raramente, como em “Perdidos na Noite”, sendo mais difícil ainda atores que exibam seus dotes físicos e exerçam seu poder de sedução como fazem suas colegas de profissão.Para o público feminino em geral sobram os galãs românticos, o herói que salva a pátria (e a mocinha), tudo muito idealizado e nem um pouco carnal. Daí a raridade que é ver um filme como “Gigolô Americano”, em que um jovem Richard Gere interpreta um garoto de programa na Los Angeles dos anos 80.

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Tudo neste filme é feito para seduzir uma mulher que já não se contenta em suspirar por príncipes encantados, da música-tema “Call Me”, da Blondie, ao desfile de Gere e seu maravilhoso corpitcho (com nu frontal e tudo!) para lá e para cá. E ainda por cima – já que as mulheres são essas criaturas tão complexas – o gigolô fala francês, entende de arte, e se preocupa em dar (mais do que receber) prazer à sua clientela. Vale cada centavo.

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Richard Gere em “Gigolô Americano” é “hot”. O olhar, a voz, o jeito de andar, se juntam à beleza indiscutível de seu intérprete para criar esse personagem ícone do desejo feminino, longe do "homem pra casar" que ainda é a regra para mocinhos no cinema - ainda que ao final exista um momento Odair José em "Eu vou tirar você deste lugar".

E então temos “Magic Mike” e sua inevitável sequência. Channing Tatum e seus amigos são lindos, são sexy, têm abdômen tanquinho, têm bundinha dura e se esfregam nas mulheres. Mas falta aquele “je ne sais quois” que qualquer mulher sabe que vale muito mais do que belezas apolíneas desfilando na sua frente.

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Existe uma sensualidade nas danças coreografadas pelos strippers de Magic Mike, mas o clima de frenesi coletivo simplesmente...não cria “clima”. Enquanto Gere é aquele homem que sutilmente senta-se à mesa de uma mulher e pede um drink, Tatum esfrega sua genitália na cara da clientela, sem espaço para aquela excitação que antecede o toque propriamente dito.

“Magic Mike” é fast food, “Gigolô Americano” é jantar com entrada, prato principal e sobremesa.


Marília Amora

Cinema, literatura, música e brigadeiros - não necessariamente nesta ordem - me fazem feliz. Adoro gente que me faz rir e abomino sectarismos de qualquer espécie..
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