rosa púrpura do cairo

Cinema e outros balangandãs

Marília Amora

Cinema, literatura, música e brigadeiros - não necessariamente nesta ordem - me fazem feliz. Adoro gente que me faz rir e abomino sectarismos de qualquer espécie.

Quando coisas ruins acontecem com pessoas boas

Estava tudo certinho: um roteiro interessante, elenco excelente, grande produção...mas ao final temos um resultado constrangedor. Por que muitas vezes o talento de um(a) grande ator/atriz não segura um filme?


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A safra de novas comediantes americanas não poderia ser melhor: tanto no cinema quanto na televisão vemos desfilar talentos diversos nesta área tradicionalmente dominada pelos homens – as atrizes sempre tiveram que optar em serem “sexy” e ser engraçada nunca foi considerado sensual. Melissa McCarthy, Rebel Wilson, Chelsea Handler, Amy Schumer, Mindy Kaling e Kristen Wiig estão aí para provar que as mulheres sabem sim fazer comédia – e até ficarem “sexy” fazendo os outros rirem.

Nesta leva de “funny ladies” uma dupla de amigas se destaca: Amy Poehler e Tina Fey. Estrelas de seus próprios seriados, Parks and Recreation e 30 Rock, respectivamente, roteiristas de filmes e séries aclamados (“Meninas Malvadas” e “Unbreakable Kimmy Schmidt”), autoras de livros best-sellers (“Bossypants” e “Yes, Please”), apresentadoras e com algumas passagens leves pelo cinema, Amy e Tina provaram que o Casseta e Planeta americano, “Saturday Night Live”, continua a ser o berço dos grandes comediantes estadunidenses.

Com todo este currículo havia uma expectativa boa para o novo filme da dupla, “Irmãs” – o anterior, “Uma mãe para o meu bebê”, era bem fraquinho. Não que se esperasse algo profundo, mas boas gargalhadas estariam garantidas. Não foi o que assisti semana passada – apenas um risinho pálido e muitas vezes constrangedor.

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Então vem a grande dúvida, que acredito ser compartilhada pelos grandes executivos da indústria cinematográfica: como bons atores conseguem fazer filmes tão ruins? O que leva a uma equação tão redondinha ator talentoso+bom roteiro+grande produção dar como resultado um filme como “Irmãs”? Existem exemplos clássicos no cinema, como o premiadíssimo Kevin Costner e seu “Waterworld”, ou, mais recentemente, a hilária Melissa McCarthy em “Tammy” (com vergonhosa participação de Susan Sarandon). Como explicar, por exemplo, que o oscarizado Robert de Niro, que fez “Touro Indomável e “Taxi Driver”, encerre sua carreira fazendo bobagens como “Um Senhor Estagiário”?

“Irmãs” simplesmente não funciona.

Claro que o humor norte-americano, com raras exceções como Woody Allen, sempre puxa para um lado mais pueril, com muitas piadas de peitos, bundas, escatologia – é raro vermos algo mais sutil, mais sarcástico, como o humor britânico – mas a questão é que o filme de Amy e Tina simplesmente não nos faz rir. Fey está pouco convincente como a irmã tresloucada da certinha Poehler, que não consegue nem repetir seu bem-sucedido papel de certinha-mor, a Leslie Knope de “Parks and Recreation”.

Fiquei triste pelo talento desperdiçado e pelas duas horas da minha vida gastas à toa, mas continuo na esperança de que estas duas grandes atrizes consigam reproduzir nas telas do cinema a comédia neurótica e mordaz à la Liz Lemon e Leslie Knope. Ou então nos mostrem, como seus colegas Will Ferrell e Steve Carrell que atores cômicos também podem fazer filmes sérios convincentes.

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Marília Amora

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