rosa púrpura do cairo

Cinema e outros balangandãs

Marília Amora

Cinema, literatura, música e brigadeiros - não necessariamente nesta ordem - me fazem feliz. Adoro gente que me faz rir e abomino sectarismos de qualquer espécie.

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Cinema e música sempre estiveram intimamente ligados – mesmo nos tempos do cinema mudo havia nas salas a presença de um pianista que acompanhava a ação exibida nas telas com música incidental. Não é surpresa, então, que muitos filmes se destaquem também por suas trilhas sonoras.


Quando falamos de filmes e música a associação imediata é com os “musicais”, popular filão que até hoje recebe grandes investimento de Hollywood, com pérolas como "Singin´in´the rain" “West Side Story”, “My Fair Lady”, “A Noviça Rebelde” e “Grease”.

As tramas dos musicais, contudo, geralmente são simples, e há quem se incomode bastante com os diálogos cantados, muitas vezes, por atores que não têm o dom para isso – a performance de Russell Crowe em “Os Miseráveis” fez sangrar muitos corações.

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Muitos astros da música acabaram se transformando em atores, como Frank Sinatra, Bing Crosby, Elvis Presley, Barbra Streisand e Madonna, alguns inclusive com performances bem acima da média – Sinatra ganhando até Oscar de melhor ator coadjuvante por “A Um Passo da Eternidade”. Outros fizeram o caminho inverso como Jennifer Lopez, Jared Leto e novamente Russell Crowe – com resultados mais...modestos.

Interessantíssimas são as músicas especialmente compostas para determinados filmes – “Tara´s Theme” de “E O Vento Levou” é tão emocionante quanto a saga de Scarlett O´Hara, e não há como imaginar “O Poderoso Chefão” sem seu arrepiante “Love Theme”.

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Outras vezes uma música, apesar de não ser original, fica tão intimamente ligada a um determinado filme que ao escutá-la fazemos a associação imediata: é o caso de “Stayin´ Alive”, dos Bee Gees, da trilha de “Os Embalos de Sábados à Noite” , “Take My Breath Away”, de “Top Gun” e “Misirlou”, de Dick Dale and his Del-Tones, que abre “Pulp Fiction”.

Músicas também acabam originando filmes, como no caso de “Peggy Sue”, de Buddy Holly, que originaria “Peggy Sue seu passado a espera”, “Pretty Woman”, de Roy Orbinson, e seu filme homônimo com a jovem Julia Roberts, e até o nacional “Menino do Rio”, fruto da música com o mesmo título de Caetano Veloso que, surpreendentemente, não aparece na trilha do filme.

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As biografias levadas à tela de grandes talentos da música saem com a vantagem de um vasto repertório para acompanhar a história do personagem principal, como em “La Bamba”, que conta a história de Richie Valens, “Ray”, cinebiografia de Ray Charles, “The Doors”, que mostra a trajetória da banda de Jim Morrison e “Johnny e June”, sobre Johnny Cash e sua esposa June Carte.

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O mais comum é termos uma miscelânea de canções já existentes que os competentes produtores musicais conseguem encaixar direitinho no desenrolar da história. Às vezes a coletânea é tão boa que pode até definir filmes seminais de uma geração, como “Curtindo a Vida Adoidado”, “Trainspotting” e “Quase Famosos”. Se assistir a um bom filme já é um prazer, imaginem só quando ele vem acompanhado de boa música. Pegue sua pipoca, se acomode na poltrona e aperte play.


Marília Amora

Cinema, literatura, música e brigadeiros - não necessariamente nesta ordem - me fazem feliz. Adoro gente que me faz rir e abomino sectarismos de qualquer espécie..
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