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do início ao fim.

Lola Carvalho

Uma história com três personagens: Beatles, viagens e pão de milho. Valendo

A Poesia Sonora de Pinback

Poesia não é só feita de palavras, ela pode ser escutada, sentida, provada e até mesmo cheirada. A banda americana Pinback conseguiu traduzir esta sinestesia e trazer para suas músicas uma experiência sensorial completa.


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Pinback é uma daquelas bandas que ao ouvir pela primeira vez nos tele transportamos para uma lembrança sinestésica. A palavra sinestesia vem do grego e quer dizer união ou junção de planos sensoriais diferentes. Muitas coisas nos causam uma sensação sinestésica; provar a comida da avó e lembrar-se do cheiro das férias de verão, olhar um objeto e praticamente sentir o seu gosto ou até mesmo ouvir uma música e constatar que já passou por aquela experiência.

Em meio a tantas letras aparentemente sem sentido, a banda de San Diego aposta mais na sonoridade das músicas do que realmente em seu significado. A melodia ondular gerada é oriunda a partir do baixo, pois é ele quem dá a base para todas as músicas. A bateria dá a batida, a guitarra a harmonia, mas é o baixo que conduz. Por ter um ambiente melódico completo, a letra acaba virando personagem secundário, mas tal particularidade dá a oportunidade para o ouvinte preencher com suas percepções a sensação que cada canção traz.

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Esses espaços para “preencher” é o que torna Pinback diferente de outras bandas indie rock nos dias atuais. A preocupação em manter a ondulação e não a sua definição torna as músicas trilha sonora para qualquer atividade diária, para qualquer pessoa no mundo. De sexo a passeio de carro, de amor à primeira vista a términos, de encontros a desencontros... O processo de deixar o ouvinte se aglutinar nas canções é algo quase autoral, quase que uma experiência única.

Pinback atua desde 1998 e é composto por dois integrantes fixos: Armistead Burwell Smith IV e Rob Crow. Além dos dois membros, o baterista Chris Prescott geralmente se junta nos projetos da banda. O nome “Pinback” faz referência a um personagem do filme de 1974 Dark Star, de John Carpenter. Além da homenagem no nome, os rapazes também utilizaram trechos de áudios do filme em suas músicas.

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Ao todo Pinback possui cinco álbuns de estúdio: This Is a Pinback CD [1999], Blue Screen Life [2001], Summer in Abaddon [2004], Autumn of the Seraphs [2007] e Information Retrieved [2012] além da compilação Nautical Antiques [2006]. No início de 2015, a banda entrou em hiato, mas seus integrantes continuam com projetos paralelos: Systems Officer (Zach Smith) e Rob Crow’s Gloomy Place (Rob Crow). Até o momento não há previsão de retorno.

Apesar de não ser amplamente conhecida, Pinback é uma banda que merece atenção. Não só por suas qualidades musicais, mas também pelo efeito que traz em cada música. Se músicas fossem como tônicos com certeza as canções de Pinback teriam o poder de fazer voar. Voar não só no sentido de se sentir leve, mas de realmente fazer levar a mente para dar um passeio.


Lola Carvalho

Uma história com três personagens: Beatles, viagens e pão de milho. Valendo.
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