rosebud

do início ao fim.

Lola Carvalho

Uma história com três personagens: Beatles, viagens e pão de milho. Valendo

A Terceirização da Felicidade

O que te faz feliz? Pessoas, posses, conquistas? Porque respondemos a esta pergunta com exemplos perecíveis e o quanto mudar a resposta nos ajuda a sermos pessoas realmente felizes.


felicidade.jpg

Tudo é seguro no útero. O calor, o cuidado, o silêncio, a conexão. Durante nove meses passamos, talvez, pela época mais calma e serena de nossas vidas, afinal, temos alguém nos alimentando, nos dando amor, carinho e conforto. Mas eis que chega a hora de sair, sentimos frio, barulho, o rosto de alguém que não conhecemos e então, o corte. Estamos sozinhos.

Segundo Karl Marx, o homem é um ser social. A vida em sociedade e a conexão com outros seres humanos é muito importante para nós, por isso passamos a vida toda tentando nos conectar com amores, amigos, animais de estimação e família, justamente porque essa condição é inerente a todo ser humano. Claro que ficar sozinho muitas vezes é uma bênção e uma hora da vida podemos escolher nos isolar do mundo, mas é um fato que ter relações com outras pessoas é uma necessidade não só sentimental, mas antropológica como aprender a falar, obter cultura e até mesmo empatia.

Apesar de sabermos que nos conectar a outras pessoas é algo da ordem de nossa natureza, o erro mora no quanto estas pessoas nos afetam e o quanto elas influenciam na nossa felicidade. Após o corte do cordão umbilical tentamos desesperadamente nos conectar, como um cabo USB, numa fonte de amor e segurança assim como tínhamos no início de nossas vidas. Encontramos pessoas que nos passam vírus, que não são compatíveis, que não nos leem, que já tem tanta informação que não tem espaço para nos por no HD, enfim, uma série de tentativas e erros até acharmos um que finalmente não nos peça nem a senha, algo ou alguém que simplesmente nos deixa entrar e ficar.

felicidade3.jpg

Hoje em dia é bem difícil explicar o porquê somos felizes. Uns diriam por que têm um emprego ótimo, outros porque tem um casamento de sucesso ou até porque tem saúde, são motivos válidos, mas perecíveis e de algum modo finitos. Podemos perder o emprego, nos divorciar e adoecer, hoje em dia colocamos toda a nossa felicidade nas entradas de USB que angariamos durante a vida. Entenda que as conexões são importantes, mas a drenagem de toda a sua felicidade em seus diversos pontos faz com que qualquer problema ou ruptura você tenha um curto circuito.

A terceirização da felicidade é associar a nossa alegria a isso e aquilo e não simplesmente porque desejamos ser felizes. Viver sabendo que a felicidade é uma escolha te protege das desilusões e dos tropeços da vida porque no final, o que quer que aconteça, você continua naquele modus operandi. Não é fácil nem é algo de imediato, mas é um bom exercício para tornar as coisas mais leves, afinal ao invés de ficar com o cordão umbilical pendurado por ai e a procura de uma conexão vitalícia, você sabe que se por para dentro de si ele ficará para sempre se auto alimentando.


Lola Carvalho

Uma história com três personagens: Beatles, viagens e pão de milho. Valendo.
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Lola Carvalho