rubinho borges

Falando sobre as coisas da vida

Eustáquio Borges

Apaixonado por textos desde criança. Acha que escrever é deixar a alma voar para a mente não enlouquecer.

A medida certa da felicidade

Ser feliz de verdade é ter o brilho nos olhos causado pelo sorriso dos outros.


perseguindo-a-felicidade-5.jpg

"Não há nada mais egoísta do que apenas querer ser feliz"

Querer a felicidade e persegui-la a qualquer custo é a ironia da vida que nos faz machucar as pessoas ao nosso redor, inclusive aquelas que nós amamos.

Essa tal de felicidade descomedida, essa necessidade de querer provar para o mundo que somos felizes a qualquer custo e a qualquer preço, não é boa, não faz bem e mais inferniza do que nos alegra. As pessoas das quais devemos correr são sempre as "eternamente felizes" ou que pelo menos assim se julgam ou gostam de se mostrarem dessa forma para o mundo.

Pessoas "eternamente felizes" são orgulhosas demais para admitir que algo está errado. São pessoas que não conseguem se apiedar da dor alheia. Pessoas assim não são bons amigos, bons filhos, bons namorados, não são pessoas boas.

Quem só se preocupa em se divertir não se interessa pelo sentimento alheio; não percebe que abandona em casa quem tanto lhe quer bem e que precisa de sua companhia; não enxerga que o colega de trabalho está com dificuldades e que um simples gesto pode fazer toda a diferença. É preciso "não ser feliz" por um momento para alcançar uma felicidade maior, um jogo completo no qual todos os participantes se divirtam e possam rir ou chorar em comunhão. Não olhar para o lado, não olhar para baixo é isolar-se. E como ser feliz sozinho?

Não que isso signifique que para se estar bem consigo mesmo seja necessário estar com alguém; estar em paz consigo mesmo é diferente de querer mostrar para o mundo, o tempo todo, que se está sempre feliz. Uma pessoa em paz consigo mesma sabe que a tristeza e momentos de solidão fazem parte, sabe que a vida é muito além de fotos nas baladas postadas no Instagram. Quem se aceita pode e consegue voltar para casa sozinho e não precisa estar em companhia de outras pessoas para estar feliz.

Se você é um alguém normal e conhece um "eterno feliz", sabe como é difícil conhecer de fato ele ou ela. Você sabe que esse tipo de pessoa costuma sempre ter muitas coisas para fazer e não se dedica aos outros além do superficial, nunca passa do "Ah, mas não fica assim que tudo vai melhorar. Agora vamos, se arruma que a noite promete!"

As pessoas que não são capazes de abrir mão de uma saída pro bar com amigos, de abrir mão de passar horas no facebook, twitter para se dedicar a quem lhes dá amor não são felizes, são pessoas que precisam "estar" felizes para esconder o vazio interno, são egoístas que não conseguem e não querem enxergar a dor alheia para não reconhecer a sua própria dor.

Quem sempre gosta de dar gritos de felicidade, na verdade tem medo de ouvir o silêncio da tristeza. Pessoas que não sabem lidar com o lado menos "festivo" da vida não são pessoas que sabem viver. São pessoas frágeis que ao primeiro sinal de alguma dificuldade vão "desabar".

Não ser egoísta e se interessar pelo outro não significa viver em eterno altruísmo e perder-se dedicando-se apenas aos outros - algo muito incrível e admirado em grandes seres humanos, assim como Madre Teresa e Ghandi, mas que nem todos nós podemos ser - isso é muito divino para a maioria de nós, seres humanos errantes e imperfeitos.

O importante é não sermos crianças mimadas e apenas querer receber; o importante é a parcimônia: ter uma vida independente - nada pior que pessoas completamente dependentes de outras -, conseguir ser feliz mesmo quando deixamos de fazer o que queríamos, só para nós, e fazemos algo que deixa o outro feliz e, então, conseguir ser feliz ao ver o sorriso no outro.

Ser feliz pode ser com coisas simples, ou que deveriam ser, como chegar mais cedo do trabalho e esperar o outro para conversarem, ou apenas ver televisão juntos; é trocar o futebol com os amigos pelo jantarzinho a dois, em casa mesmo; é trocar a festa pela noite do sorvete usando roupa velha. Ser feliz de verdade é ter o brilho nos olhos causado pelo sorriso dos outros.

A medida certa da felicidade é quando deixamos de querer provar para o mundo que acordamos em um daqueles comerciais de cereal matinal super dispostos e que não existe nada que não possamos fazer, saímos com os amigos e tem sempre alguém nos esperando em casa pronto para realizar nossos caprichos porque nós somos os melhores. A felicidade chega na medida certa quando podemos ser felizes sendo normais, mesmo que isso signifique ver o filme chato só para fazer a pessoa que nos ama feliz, é enxugar a lágrima do amigo e se permitir ser fraco e pedir colo mesmo que o dia esteja pedindo praia, porque o coração de uma pessoa feliz sabe que aquele momento pede isso e depois virão os momentos de festas, de risos bobos e percebemos que somos felizes à medida que vamos permitindo momentos únicos a todos ao nosso redor.


Eustáquio Borges

Apaixonado por textos desde criança. Acha que escrever é deixar a alma voar para a mente não enlouquecer..
Saiba como escrever na obvious.
version 6/s/recortes// @obvious //Eustáquio Borges