rumos

quando não há verbetes para o porvir

Rudson Vieira

..rumos seguem, mesmo em silêncio. Dobrei o horizonte sob os joelhos e ponderei; rumos seguem, mesmo introspectivo.

ponto

calada, solta à mesa a palavra salta para dentro de mim,
aperta meu coração, sufoca minhas ideias,
faz gozar minha insignificância.


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sorrateira, a letra percorre todos os poros, o corpo treme, desperta a narrativa de um tempo tão meu.

soberba, a palavra se faz imagem ressoa em minha cabeça, reverbera dentro de cada veia, artéria de minhas ilusões...

e seus cabelos guardam o cheiro que não é cosmético, não é ambiente é de dentro

entro? isso é outro passo. calado, preso em meus olhos o olhar pula em uma palavra e o dia logo escorre...

gotas em diálogos;

o gosto de sua faca faz-me deixar de sonhar; o gosto da lágrima traz de volta o fôlego. eu sou o beijo na sua boca sou eu o botão de sua roupa a sua voz rouca você ficando louca; você sempre aumenta um verso sempre você a me espremer entre estrofes

diálogos às vezes são sussurros palavras que escondemos em um olhar

há distância

ponto.

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A construção das mensagens e das narrativas possuem uma essência que não consegue ser representada pelos códigos linguísticos. Desta forma, faz com que o processo seja contínuo, em uma frenética busca por registrar e manifestar a plenitude do que pensa, sente e percebe o indivíduo. Neste ínterim, o indivíduo travestido de ser social acumula experiências e interferências na essência primária, fato que expande o que se quer representar e alimenta o ciclo de criação das mensagens e narrativas. As obras literárias e as manifestações literárias dos indivíduos revelam nossa relação com o tempo. Definindo as frases compostas por gestos. O tempo entremeio aos pensamentos e sentimentos; escorrendo por nossas escolhas, definindo quem somos, tornando-nos memórias ou esquecimento, encadernados ou enjaulados em bits e bytes.

A humanidade tempera o mundo do melhor e do pior que há para vivenciarmos. Paisagens são contaminadas. O gorjear do verso quebrado; o voo interrompido do pássaro que não mais canta. O céu sangra no horizonte e o peito atormentado pelo silêncio cala um milhão de suspiros, em um sentimento. A lógica é lançada ao vento; e a melodia que pontua os acontecimentos, marca profundamente toda a percepção... o silêncio.

Os processos de comunicação interferem no comportamento social, isto é fato. Entretanto, qual o limiar da loucura ou o tempero da ternura? Seria a temperatura das palavras, dos corpos, dos sentimentos? Narrativas contínuas em fragmentada linha reta, em convergência e transcendência.


Rudson Vieira

..rumos seguem, mesmo em silêncio. Dobrei o horizonte sob os joelhos e ponderei; rumos seguem, mesmo introspectivo..
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