rumos

quando não há verbetes para o porvir

Rudson Vieira

..rumos seguem, mesmo em silêncio. Dobrei o horizonte sob os joelhos e ponderei; rumos seguem, mesmo introspectivo.

seio social

“... as rodas da aceleração permanecem, mas nem sempre nos impulsionam para frente: elas podem também girar interminavelmente sobre os próprios eixos, sem nos levar a lugar algum.” – Hartmut Rosa


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Uma pausa para o café e o observar o corpo social. Exposto, o seio da sociedade verte o muco de nossa superficialidade. Praças, esquinas, fatos e fotos. Somos profetas do fantástico e filósofos da espontaneidade das redes sociais digitais. No entanto, não cuidamos dos resíduos que geramos na entranha de um consumismo exacerbado. Ilha das flores (o documentário de 1989, de Jorge Furtado) já não é poesia, mas a realidade de um mundo sustentável apenas no discurso, pois ao invés de todas as cidades serem modelo em gestão de resíduos, nos contentamos em termos iniciativas espalhadas pelo Globo. Os corpos deitados nas calçadas não são intervenção artística. Mágoa não é algo a se plantar. Realidade híbrida. As tendências são a confusão lançada ao vento. 

O tormento de mães é imagem de cartaz pueril de uma puberdade eterna dos cidadãos civilizados. Humanos castrados no ego, com uma prótese no bolso, na gaveta, na garagem ou na rede. Uma geração de filhos da prosperidade desconhece o valor das coisas e das pessoas. Eles gerenciam conceitos pautados pela confusão, precipitação e imagem (esse amargo algodão-doce). São patrões do abandono da moral. Senhores de uma guerra difamada como pós-modernidade. Nem todos (?).

 Uma paisagem de promessas soterra-nos. Precisamos escolher. Quando o voto aparenta não ter voz, quando a fala tem castrado o argumento e o espaço, a resistência parece-nos ser o instrumento transformador, baseado na democracia plena, que considera a hierarquia como organização e não repressão. A existência do respeito (elemento essencial) é comprovada quando ele é exercido nas relações humanas. Seja entre empresas e empregados, poder público e sociedade civil, cônjuges e pais e filhos.  Thumbnail image for images82LGK00X.jpg

Quando os movimentos sociais deixam de ser ícones publicitários, conseguem mobilizar mudança ou pelo menos a reflexão sobre a necessidade de mudar (desde políticas públicas ao comportamento do indivíduo). Modernidade. Em 2012, uma adolescente de SC utilizou a rede digital, agora com seus milhares de seguidores no Facebook, para bandeirar a precariedade de sua escola e sofre retaliações. Interessante. A atrofia do poder público desanima o povo? Mobiliza.

 Modernidade é capacidade. Pessoas se perdem entre a tecnologia disponível e a imagem que gravarão nas cavernas. Permito-me à estante. As palavras de Otto em Testemunha Silenciosa confirmam uma das orientações de A. Schopenhauer de que é difícil, porém necessário, escrever de forma simples o complexo. A serenidade de Ana Martins Marques faz-nos descansar entre as palavras, e desligar o cotidiano enquanto nutrimos de borra de café nosso jardim. 

Para conseguir chegar a casa, carrego uma imbecilidade e ingenuidade no brilho dos meus olhos. Regado a cafeína, renego a voracidade hipócrita daqueles que desejam tornar a vida em carniça para dela se alimentar. Respiro no meio da massa e repouso. Chuva e sol no Vale. Quando o expediente acaba, a gentileza de alguns sucumbe. Encontramos então as pessoas in natura. Assusta-nos, consome e ensina... lindo é o limiar de um novo dia.


Rudson Vieira

..rumos seguem, mesmo em silêncio. Dobrei o horizonte sob os joelhos e ponderei; rumos seguem, mesmo introspectivo..
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