rumos

quando não há verbetes para o porvir

Rudson Vieira

..rumos seguem, mesmo em silêncio. Dobrei o horizonte sob os joelhos e ponderei; rumos seguem, mesmo introspectivo.

quando dançam sonhos

As ondas se propagam, batem na parede, reverberam no ambiente, atingem o corpo. Play. O que permanece parado é tratado como o deslocado, mobília a ser descartada. Enquanto refaço o fôlego com água, observo. Tecnicamente juntos, os corpos atêm-se à matemática do ritmo, uma relação para entreter? Letras que falam de amor, letras sobre violência, felação e adultério, letras políticas (escassas), refrão na ponta da língua, realidade materializada nas esquinas, maternidades, cadeias e páginas dos jornais; ainda assim alguns querem propagar a mensagem de que é apenas diversão? Cada caso, um caso. Caso.


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“Os jeitos são tantos que deixam até mesmo os mais espertinhos meio tontos!” - Fernando Bonassi

A superexposição da constatada sociedade relacional (que dramatiza e tudo compartilha em busca de uma solidariedade de mão única) aos poucos ganha status de comum. Pan‰fletos jogados, empurrados e emperrados em caixas postais (utilizadas cada vez mais como ponto de depósito de contas e propaganda de supermercados ou religiões da incoerência). Na dança não se coloca o desejo? Não se investe a paixão? Emprega-se apenas o mecânico movimento? A dança dos votos desesperados. Especulação. A dança de faróis em um trânsito que intensifica irresponsabilidade. Noites ao luar que já não são mais tranquilas: bailam carteiras, celulares, e fumegam ervas e pedras. Tanto no aspecto favorável quanto no contestável, os conceitos de dança são fascinantes. Coisas que só escrevo quando você vai ler. A batida que move o quadril sai dos seus lábios; seja ao sol, seja à lua. Somente a dois. O movimento persiste mesmo no silêncio.

Mãos sucedem-se em cumprimentos forjados. É dia do troco. Escolhas por satisfação a qualquer custo não arcam com os gastos. Ah, desafinado cotidiano: A dança Lótus Flower (Radiohead), a busca por um ponto de equilíbrio que não derrube o outro. O resultado? Os desencontros; o epicentro da sordidez dos nossos argumentos. Ó dial cruel! Permita ao menos outro repertório. O choque de partículas em um acelerador não é tão importante quanto o confronto de sonhos, orquestrado pelo tempo. Um haicai desolador, do que sobra, do que descobrimos, do que abrimos mão para manter o fôlego. Embalado pela constante do aprendizado e da formação de caráter, persistimos.

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No banco de concreto observamos a natureza. Nem todo movimento é dança. Nem tudo que reluz é ouro, às vezes é o outro; ‘ fixar o olhar pode nos cegar. Nesse cenário, o significado da palavra apresenta-se cravado no pensamento de quem lê, e não mais no poderio de quem a traceja. Portanto, cautela é atributo essencial para equilibrar os diálogos, a dança social.

As intervenções contemporâneas. O corpo e a cidade. O corpo é o espaço de transformação; a cidade o agente modificador? Foto breve do plural: Adolescentes brigam via sms, casais rompem por meio do status na rede social digital, o papo de vendedor de loja perde espaço para o pop-up em sites de compras on-line. Revoluções e manifestações acontecem em praças digitais, ocasionalmente sujam as físicas.

Alguns homens querem funcionar como as coisas, querem ser o que possuem; outras mulheres querem ser cafajestes como os homens, desejam provar seu potencial, mas de forma equivocada, a partir do esvaziamento do caráter. Diversão? A gentileza é a nova quebra de paradigma. Modernos tempos exigem práticas antigas, pois a vanguarda surge de formas inusitadas.


Rudson Vieira

..rumos seguem, mesmo em silêncio. Dobrei o horizonte sob os joelhos e ponderei; rumos seguem, mesmo introspectivo..
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