sacudindo palavras

Sacudir esse mundo é algo que me atrai, me distrai e me impulsiona a querer sempre mais.

Erica Ferro

Escrever é essencial para mim. Sou amante das palavras sinceras, das frases contundentes e dos textos inquietantes. Sou escritora porque escrevo e amadora porque tenho uma relação intensa de amor com as letras. Sacudir esse mundo é algo que me atrai, me distrai e me impulsiona a querer sempre mais.

A jardinagem da vida

Permita-se sentir tristeza, dor, desalento. Deixe-se mergulhar na imensidão dos sentimentos. Toda dor é uma oportunidade de evolução e autoconhecimento. Entregar-se às emoções é sentir-se (mais) humano. A ciranda da vida não para e nós devemos nos manter em movimento, nessa girar de emoções, que nos leva além do que nós mesmos pensávamos que poderíamos chegar. A vida é um jardim - e lindo! -, basta que saibamos cuidar dele. Que o nosso jardim seja bem florido e com o mínimo de ervas daninhas possível!


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É impossível ignorar a tristeza, a dor, o desalento e o desencontro que de quando em quando vem nos encontrar. É impossível, mas muitos tentam. Eu tento, você tenta, nós tentamos. É inegável. O duro mesmo é conseguir ignorar a angústia que sente prazer em rasgar um pouco mais a cada dia o nosso coração. Não importa se o problema é de pequeno, médio ou grande porte, a tristeza não é proporcional ao tamanho dos problemas que se jogam eventualmente à nossa frente. A tristeza, essa danada, tem um tamanho que não podemos calcular. Eu só sei que ela existe e que tem duas mãos que adoram apertar o nosso peito e dilacerar a nossa alma.

Há quem tente bloquear as consequências da tristeza ocupando a mente com mil e uma atividades. Inútil, óbvio. Por mais que nos ocupemos, nos enfiemos em atividades intermináveis, a dor estará ali, esperando a hora de nos agarrar quando nos distrairmos por um milésimo de segundo. Não dá para fugir do inevitável. Sentir é para os fortes. Eu sinto muito. Eu sinto tantas coisas. Penso em tantas outras coisas. A vida é um eterno pensar e sentir, sentir e pensar, fazer e sentir, pensar e fazer. É um carrossel que não para de modo algum, não dá trégua, não permite um momento sequer de descanso. O descanso se dá com a ciranda girando e girando. É um descanso confuso, agoniado. Por vezes, ignorar o girar da ciranda e mergulhar em pensamentos, dolorosos ou não, e se permitir sentir, de modo sutil ou intenso, é o remédio que alivia a alma, que dá um frescor aos nossos neurônios cansados do cotidiano frenético.

Meu modo de viver é singular. Eu não tenho medo de mergulhar nessa imensidão que é o mar dos sentimentos. Sentir não é ser sentimental demais. Deixar cada célula absorver as sensações do momento não é ser sentimentaloide. Permitir-se sentir é ser humano. Humanidade tem a ver com isso mesmo: chorar, sofrer, perder. A vida pode ser cinza, às vezes. Pode e é. Pode e será. Uma vez ou outra. Faz parte da ciranda, entende? Faz parte do girar. Não tem nada a ver com a vida ser ruim para mim, para você ou para ele. A vida não é ruim. Ela não é a nossa carrasca. Não é o mundo, também. Não são as pessoas. Nós somos os nossos próprios carrascos. Isso parece muito papo de autoajuda, e eu lamento por isso. No entanto, de acordo com o meu modo de pensar, eu sou responsável pela minha dor. Não gosto de responsabilizar ninguém pelo que se passa em mim, por mais que alguém tenha me afetado, derrubado ou hostilizado. Eu posso modificar isso. É duro? É duríssimo. É dificílimo. Não é uma tarefa rápida. Transformar choro em riso não se dá de um dia para noite. Faz parte de um processo árduo, longo, mas executável. Posto que é executável, por que não nos jogarmos nele e enxugarmos nossas lágrimas e, finalmente, visualizarmos vários motivos para (sor)rirmos? A ciranda continua girando. Os ponteiros do relógio continuam em seu ritmo normal. O nosso tempo também permanece escorrendo por dedos das mãos, dos pés, pela alma.

A vida é esse ganhar e perder, sorrir e chorar, amar e sofrer. É o viver, entende? Preparados ou não, estamos aqui e não podemos desperdiçar as oportunidades que surgem para nós. Que nos desliguemos do girar da ciranda quando precisarmos, mas nunca, em hipótese alguma, nos lancemos para fora dela. Não desistamos de nós mesmos. Não entreguemos os pontos. Não que seja questão de fraqueza, mas é que não vale a pena. A vida é grandiosa e linda, apesar de todas as adversidades que possam fazer parte dela. A vida pode dar frutos, assim como também pode dar espinhos. Cabe a nós cuidar bem do nosso jardim, para que haja mais flores do que ervas daninhas.


Erica Ferro

Escrever é essencial para mim. Sou amante das palavras sinceras, das frases contundentes e dos textos inquietantes. Sou escritora porque escrevo e amadora porque tenho uma relação intensa de amor com as letras. Sacudir esse mundo é algo que me atrai, me distrai e me impulsiona a querer sempre mais..
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