sagrado humano

antes de chegar ao nada, o caminho é essencial

Priscila Fernandes

De todas as opções que busquei, hoje estou voltada para educação e terapia dentro do contexto da Filosofia Oriental. Escrever sobre o que me faz bem é retribuir aos que partilharam seus conhecimentos comigo

Minimalismo – é possível viver com menos?

Viver com menos não significa abdicar das coisas que se gosta, significa reavaliar a real necessidade de consumo.


A proposta de viver com menos é, muitas vezes, mal compreendida, causando um certo repúdio imediato, consequente da imagem de uma vida de privações. Às vezes, pode parecer discurso de desdém daqueles que não podem consumir, ao mesmo tempo em que causa arrepios aos consumistas de plantão.

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Porém uma vida minimalista é uma escolha, e não um estado de conformismo. E viver com menos não significa se privar das coisas que gosta. Nem mesmo o tão aclamado “desapego” significa abrir mão do que lhe é bom e útil, mas sim daquilo que está guardado, ocupando espaço, ficando obsoleto, e que poderia ser útil a outras pessoas. Desapego é compreender que há mais na vida para ser vivido do que para ser acumulado, sem deixar de reconhecer que muitas coisas possam nos ser úteis para uma vida melhor.

Da mesma forma que ter uma “vida melhor” tem significados diferentes para pessoas diferentes, as necessidades de cada um também são variadas. Obviamente temos necessidades básicas e comuns a todos, que necessitam ser supridas para garantir a sobrevivência, são questões fisiológicas, como alimentação, questões de segurança e relacionamentos. Porém, após satisfeitas as necessidades básicas, cada um tem, em seu contexto de vida, necessidades específicas.

Considerando essas variáveis, algumas pessoas podem viver o minimalismo com, por exemplo, poucas peças de roupa, com corte fino e excelente qualidade; outros encontrarão no minimalismo uma justificativa para não gastar valores altos em cada peça, uma vez que seu estilo de vida exige roupas variadas. Portanto, não cabe julgamento, nem é possível estabelecer uma fórmula para o que é viver com menos.

O importante é revalorizar o próprio dinheiro, o valor do seu esforço e tempo de trabalho. É compreender em quais momentos consumimos sem necessidade, por impulso, ou porque está na moda. É rever os armários cheios e criar espaço, organizando, doando o que não precisa mais.

Ao longo do processo, fica claro que as mudanças externas são apenas reflexo da transformação interior, em que consumir deixa de ser um prazer e torna-se apenas uma ferramenta. O espaço interno é a liberdade, de não ter e não sentir que precisa, de passar por lojas e não consumir por impulso, de abrir os armários e se deparar apenas com coisas que são uteis.

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Quem consegue se livrar dos excessos fica com a bagagem mais leve para a viagem da vida. Menos coisa para administrar pode significar mais tempo de lazer e convívio real com as pessoas. Não sentir-se obrigado a ter, a acompanhar lançamentos e tendências, proporciona liberdade e leveza. Uma vida minimalista é um processo que não deve impor sofrimento ou escassez. As coisas desnecessárias vão se mostrando aos poucos, até alcançar o dia em que tudo o que se tem, será apenas o necessário, ao qual provavelmente pagou um preço compatível.

Ter e manter as coisas, inclusive coisas sem uso, consome tempo. Com menos tempo gasto administrando essas coisas, haverá mais tempo para viver. Desapegar das coisas que aprisionam permitirá um melhor relacionamento com as coisas úteis, que facilitam a vida, promovem conforto e permitem momento reais de prazer. Minimalismo é compreender que as coisas são apenas coisas, e servem para melhorar nossas vidas, não para nos tornar prisioneiros.


Priscila Fernandes

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