sagrado humano

antes de chegar ao nada, o caminho é essencial

Priscila Fernandes

De todas as opções que busquei, hoje estou voltada para educação e terapia dentro do contexto da Filosofia Oriental. Escrever sobre o que me faz bem é retribuir aos que partilharam seus conhecimentos comigo

A ilusão da escolha e do controle

Todas as vezes em que eu ria da vida, ela logo dava um jeito de gargalhar de mim. Meu senso de humor foi mudando... e minhas percepções também.


Nossas opções de escolhas na vida são limitadas. O livre-arbítrio se resume a, estando em uma sala com cadeiras, escolher em qual cadeira sentar. Algumas vezes acabamos escolhendo uma cadeira com o pé quebrado, em outras a sala estará quase cheia e nos restará apenas o último lugar. É possível melhorar a ilustração, trocando a sala por uma montanha-russa. Assim sendo, na montanha-russa da vida, nos sobra apenas a opção de escolher em qual lugar sentar, apertar bem a trava de segurança e, seja no primeiro banco ou no último, passar por todos os altos e baixos.

montanharussaimagsagradohumano.JPG

Se sequer podemos escolher de forma ampla, como podemos pensar que controlamos algo? É justamente essa falta de controle que justifica as poucas opções de escolha. Observando o que parece mais obvio inicialmente: não controlamos o outro e dependemos constantemente de diversas pessoas, seja para termos alimento, moradia, para nos deslocarmos, nos divertirmos, enfim, para sobreviver.

O mais surpreendente é que também não controlamos a nós mesmo, nossas escolhas e aptidões. Quer um exemplo? Imagine uma escolha que tenha tomado em sua vida. Podemos usar a carreira profissional como exemplo, pois teoricamente é uma área mais racional. Pense no seu emprego. Você escolheu estar aí?

- Muitos dirão que sim, escolheram e sonharam com isso, então lutaram até conseguir.

- Outros dirão que não, que a necessidade os colocou na situação profissional atual.

- E ainda há grande probabilidade de que algumas pessoas considerem que, mesmo quem disse não ter escolhido, só está lá porque quer, porque aceitou a condição e não deseja de verdade mudar.

Mas o que te direcionou para sua profissão? Se a resposta for necessidade, fica claro a interferência da própria vida nas suas escolhas. Se a resposta for dom, vontade, habilidade, vocação, eu te pergunto, de onde veio tudo isso? São características que formam o seu ser, mas que não foram escolhidas, foram apenas percebidas e desenvolvidas.

Em outro aspecto, quem escolhe, realmente, quem amar ou deixar de amar? Ninguém se apaixona porque quer. E mesmo ao término de uma relação, a escolha de um rompimento é, antes de qualquer coisa, uma insatisfação crescente que se tornou insustentável, mas que ninguém escolheu de verdade.

Certas leis universais, anteriores à sua manifestação física, determinam a sua montanha-russa, e a vida começa! Não digo com isso que não há escolha, claro que há, escolha seu assento! Escolha um banco solto, ou use a trava de segurança mais solta e irá se debater muito mais durante a diversão. Com certeza essa escolha trará mudanças consideráveis em sua vida, como alguns hematomas. Algumas dessas mudanças também irão refletir nas próximas montanhas-russas, talvez mais inclinadas e com mais loopings.

A boa notícia é que para todo este processo há uma lei de proteção, que garante que a montanha-russa esteja no trilho e a trava de proteção funcione. Você não vai cair, mas, do assento em que escolheu, terá que passar por todos os altos e baixos e reviravoltas dos trilhos da vida.


Priscila Fernandes

De todas as opções que busquei, hoje estou voltada para educação e terapia dentro do contexto da Filosofia Oriental. Escrever sobre o que me faz bem é retribuir aos que partilharam seus conhecimentos comigo.
Saiba como escrever na obvious.
version 4/s/recortes// @obvious, @obvioushp //Priscila Fernandes