saindo da caixa

Uma odisséia fora da caverna

João Rachid

Um cara confuso, talvez também perdido, que tenta se encontrar através da escrita. Apesar de ficar cada vez mais perdido, não desisti de achar um sentido para tudo isso

E se...

Acredito que todos já pararam para pensar sobre a vida. Principalmente sobre as decisões que tomamos no dia a dia. Quem nunca parou e pensou “e se eu tivesse feito diferente?”, ou “e se tivesse tomado coragem e corrido atrás do que eu queria?”. Todas essas incertezas nos matam pouco a pouco...


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A vida é uma confusão total, principalmente por nossa causa, se não toda. Cada dia que passa, parece que estamos em uma comédia romântica onde tudo de errado acontece e quando achamos que não dá para piorar, o deus da comédia ri e utiliza todo o seu humor doentio contra nós.

Fazemos coisas idiotas a todo o momento – pelo menos eu faço bastante e não me orgulho muito disso, mas a vida segue – e muitas vezes nos arrependemos do que fizemos ou até do que nós não fizemos. Sentamos na cama, olhamos para o céu e nos fazemos a pergunta que atormenta nesse momento as nossas almas amarguradas: “E se eu não tivesse feito isso, o que teria acontecido?”.

Não podemos saber o que teria acontecido de diferente. Até porque ninguém tem uma máquina do tempo onde possa voltar e mudar toda a história... – caso você tenha, me avise! – Ficamos nos questionando sobre um futuro incerto, onde poderia ou não ter dado certo. Mas, mais do que nos questionar sobre esse futuro, somos atormentados pelos fantasmas do passado. Esses “espíritos” ficam nos lembrando de algo que não queríamos lembrar, de algo que queríamos mudar e não podemos, algo que talvez desejássemos que nunca tivesse acontecido.

O arrependimento é uma cicatriz que nunca desaparece. Aquilo fica marcado em nossas mentes, sugando toda a nossa felicidade e colocando cada vez mais tristeza e insegurança.

Quem nunca desejou que algo não tivesse acontecido que atire a primeira pedra... Mas não em mim, por favor!

Eu sou uma vítima assim como você. Vítima dos meus desejos, dos meus medos e das minhas dúvidas. Fiz coisas que me arrependo e não fiz coisas que também me arrependo. Quando penso nisso, penso no tanto que perdi ou no que eu poderia ter ganhado...

Sei que não posso mudar o passado. Sei que preciso superar as besteiras que eu cometi e sei que se eu me focar no “e se...”, viverei em um universo paralelo, onde nada daquilo aconteceu, mas desejaria que tivesse... Viverei a vida de outra pessoa, outro eu que não é real, que ficaria arrumando o passado, sem viver o futuro.

Tenho pessoas que me ajudam a ver o que eu não vejo, enxergar o que está bem debaixo do meu nariz. Pessoas que fazem todos esses “e se...” sumirem, pois elas me ajudam a entender melhor como eu faço para não cometer os mesmo erros no dia seguinte.

Não é errado e nem fraco se arrepender de algo. Isso não o torna um perdedor, mas sim um humano. Todos esses “e se...” que hoje eu penso, me faz refletir sobre as minhas atitudes futuras, sobre como eu posso melhorar como ser humano.

Perdi algumas coisas, mas pensando de maneira mais clara, vejo que poderia perder muito mais se ficasse me arrependendo de tudo. Errou? Bola para frente! A vida segue! A dor só é superada quando aprendemos a lidar com ela.

Se eu tivesse como voltar e mudar toda a minha história, talvez eu não fizesse. Pois se eu fizer, talvez não estivesse escrevendo aqui. Talvez não tivesse um futuro, pois estaria vivendo sempre o passado...


João Rachid

Um cara confuso, talvez também perdido, que tenta se encontrar através da escrita. Apesar de ficar cada vez mais perdido, não desisti de achar um sentido para tudo isso.
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