sala escura

24 quadros por segundo na sua imaginação

Juliana Radler

Amante das letras e das imagens. Jornalista, videomaker, produtora independente e empreendedora.
"A diversidade cultural é o maior tesouro da humanidade. Quando celebrarmos isso ao invés de negarmos, todos os nossos problemas estarão resolvidos."


Carol e a necessidade de sermos nós mesmos

O filme Carol, que arrebatou a crítica e deu à Cate Blanchett uma de suas mais excepcionais atuações, vai muito além de uma história de amor entre mulheres. É uma obra essencial que mostra a necessidade de sermos sempre nós mesmos. A coragem para seguir o caminho do amor, no amplo sentido desse termo, requer nadar contra a corrente da imposição moralista ávida por rótulos e normas de conduta.


Cate Blanchett e Roney Mara

O premiado longa-metragem Carol, estrelado por Cate Blanchett e Rooney Mara, é muito mais do que um brilhante filme de amor entre mulheres. A trama nos fala sobre a necessidade de sermos nós mesmos em um mundo repleto de padrões e preconceitos.

A começar pela própria forma como a imprensa costuma tratar os filmes cujos protagonistas são homossexuais. As matérias sempre começam da seguinte forma: “Carol, um romance lésbico”. Será que um filme poético, delicado e sensível pode ser reduzido a esse rótulo?

Aí chegamos no ponto: a necessidade de se rotular. Por que estamos sempre em busca de rótulos, enquadramentos e definições? A sociedade dos anos 50 retratada no filme não admitia romances homossexuais, os quais eram vistos como atentados à moralidade.

Mais de 50 anos depois, grande parte do mundo vive uma outra realidade. Casamentos entre pessoas do mesmo sexo são reconhecidos por lei, assim como famílias são formadas por casais de homens e mulheres. Porém, grande parte da sociedade insiste nos rótulos e na não normalidade desse tipo de relação.

Carol cartaz

E esse olhar que ainda difere e rotula, reduz uma obra-prima como Carol à categoria de “romance lésbico”. Questiono esse rótulo porque se fosse um romance entre um homem e uma mulher, as matérias certamente não falariam “romance heterossexual”. E, evidentemente, focariam muito mais profundamente no que a história tem a dizer, na interpretação e na beleza cinematográfica.

Cate Blanchett, que interpreta Carol, firma-se como uma das maiores atrizes da atualidade. Ela brilha no papel e dá à personagem um refinamento e uma emoção que só as “grandes” conseguem alcançar. Com elegância e suavidade, Carol mostra a força de duas mulheres capazes de passar por todos os obstáculos para serem elas mesmas. Para assumirem o seu amor e para serem respeitadas. Sem mentiras e sem jogos, simplesmente através da verdade e do amor.

Carol é uma obra essencial ainda nos dias de hoje. Sem militância, sem imposição e sem rótulos. Pura arte do cinema em nome da beleza, do amor e da verdade que está em sermos sempre nós mesmas.


Juliana Radler

Amante das letras e das imagens. Jornalista, videomaker, produtora independente e empreendedora. "A diversidade cultural é o maior tesouro da humanidade. Quando celebrarmos isso ao invés de negarmos, todos os nossos problemas estarão resolvidos." .
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