Bianca Pinheiro

Geminiana um tanto quanto atípica, prefere escrever a falar. Nutre grande apreço por filmes, séries, livros e música - não necessariamente nessa ordem

Vamos falar sobre fobia social?

Quando a timidez é tão exacerbada a ponto de prejudicar o cotidiano do indivíduo, torna-se patológica e recebe o nome de fobia social. Você já ouviu falar nesse transtorno de ansiedade?


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Às vezes, você vê por aí alguém que fala tão pouco que, mesmo com uma possível convivência diária, não se sabe quem ele realmente é. E você percebe que ele se esquiva e é tão escorregadio quanto uma pista de gelo. Toda vez que um indivíduo tenta se aproximar, essa criatura das cavernas se retrai e se esconde. E você constata, também, que ela tem dificuldades para fazer coisas simples, como falar ao telefone ou pegar a pizza pedida pelo delivery. “Que pessoa estranha!”, todos pensam, enquanto apontam o dedo julgador, sem notar o quanto ela, mais do que ninguém, necessita de sua compreensão.

Todos nós conhecemos a timidez, e a consideramos, até certo ponto, “bonitinha” e graciosa. A timidez pode ser vista não necessariamente como uma qualidade, mas como uma simples característica. No entanto, quando em alta concentração, passa a ser uma patologia com nome e sobrenome: transtorno de ansiedade social, vulgo fobia social.

A fobia social é uma falha no sistema cognitivo do indivíduo com relação às interações sociais. Ao se deparar com uma situação em que tenha que lidar com outras pessoas, o fóbico percebe um perigo muito maior do que aquele que, de fato, existe. As zonas do cérebro responsáveis por nos alertar dos riscos e das ameaças, no fóbico, são acionadas frente a uma situação social, causando nele medo e ansiedade intensos, ao ponto de gerarem sintomas físicos, como tremor, sudorese, enjoo e confusão.

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Aqueles que são acometidos pelo transtorno de ansiedade social geralmente possuem pensamentos pessimistas, que, aliados aos sintomas físicos da fobia, levam o indivíduo a evitar ao máximo as situações que lhe causam a ansiedade. Assim, os fóbicos demonstram uma tendência ao isolamento: não frequentam festas ou baladas, não têm muitos amigos e desistem de possuir uma vida amorosa.

Tal comportamento gera uma grande dificuldade de criar laços afetivos, sejam eles de amizade ou amorosos. Os fóbicos são muito caseiros, o que se torna um obstáculo para conhecer novas pessoas. Mesmo nos ambientes frequentados por eles, podem se sentir desconfortáveis com os colegas por conta de comentários preconceituosos e debochados a respeito de sua conduta. Dessa maneira, isolam-se cada vez mais.

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Os fóbicos sociais, por vezes, têm uma autoestima bem problemática. Eles não se acham capazes de enfrentar as situações temidas. É por isso que alguns abandonam completamente o estilo de vida considerado normal pela sociedade: deixam de frequentar a escola ou a faculdade por medo das apresentações de trabalhos e da interação com os colegas, desistem de arrumar um emprego por temer as etapas de seleção e se considerar inaptos, se autodeclaram celibatários pela ansiedade que o objeto de desejo lhes causa.

Grande parte desses indivíduos tem consciência de que seus pensamentos negativos e medo são infundados e irracionais, mas não conseguem lutar contra eles sozinhos, porque não é fácil combater um monstro invisível. Não é frescura. Não é mimimi. Esse transtorno é sério e precisa de tratamento.

A fobia social pode ser tratada por meio de remédios, como ansiolíticos e antidepressivos, e de terapia ou psicanálise. O tratamento mais adequado é a terapia cognitivo comportamental, que busca atingir o foco do problema em vez de buscar suas causas.

Se você conhece alguém com as características descritas nesse artigo, não o julgue. Não faça chacota. Não deboche de suas poucas palavras. Tente ajudá-lo. Tenha paciência. Chame-o para sair, por mais que ele rejeite seus convites. Ele não é metido nem arrogante. Ele tem um problema que precisa ser tratado. E, durante o tratamento, toda a compreensão daqueles que o cercam é necessária como um incentivo para que ele continue lutando.


Bianca Pinheiro

Geminiana um tanto quanto atípica, prefere escrever a falar. Nutre grande apreço por filmes, séries, livros e música - não necessariamente nessa ordem.
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