Agatha Andrade

Em meio a milhares de vidas amontoadas buscamos o que está dentro de nós mesmos para nos sentirmos mais autônomos em um mundo tão igual. É só ao observar o vazio que tememos que ele, também, esteja além das estrelas. Medo de que essas estejam tão perdidas quando nós. Blog:www.screepeer.com.br

Ciclo de trocas sentimentais

Não é que não exista amor, carinho ou afeição. A questão é que no fim sempre desejamos algo em troca do que oferecemos. Não sei dizer se isso é moderno, natural ou social, apenas que se olharmos bem veremos como somos dependentes das trocas sentimentais.


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Um olhar sincero ou um sorriso amigo. Uma palavra de conforto ou apenas estar ali. Se estamos quando precisam de nós, desejamos que estejam, também quando precisamos. Amamos a troca sentimental, pois acreditamos que para o amor ser real é preciso haver retribuição. É quase um sistema monetário, da qual não conseguimos fugir, pois de certa maneira, ele está ali. Uma mãe, por exemplo, ela ao dizer que ama seu filho, por mais que esse amor não se altere, involuntariamente, ela acaba por almejar uma reciprocidade.

É como se ora a alma, ora o ego pedisse. A troca dada pelo outro para que faça sentido, pois no fim o que mais buscamos é amar e ser amado. Reconhecer e ser reconhecido.

A busca do amor romântico é quase que baseado nessa troca. Esta que deve vir do involuntário e natural. A relação que não necessita ser perfeita, mas se nas pequenas coisas houver a retribuição correta é o que a mantém de pé. Pois, a retribuição sentimental é foco nessas relações. Nas obras de Jane Austen, suas personagens buscam isso. A relação que vai além do que apenas elas ou eles oferecem, mas deve vir de ambos. Sentimentos recíprocos que façam sentido. Baseados no amor e na paixão. Uma luta de ambos por tais sentimentos.

No fim, quem quer estar perto de quem mais temos que oferecer do que receber? Por que caminhar com alguém que nada lhe oferece? Somos egoísta, e, não é por mal. Precisamos dessas relações para nos mantermos em pé sentimentalmente.

Umas semanas atrás após um post sobre amizade com uns amigos em uma rede social, um rapaz veio tirar satisfação. Nos acusando de falsidade, pois os amigos dele só o procuravam quando precisavam. Veja bem, nunca o vi antes. Sua reação fora baseada no desejo de algo, além da relação que exigia um esforço, apenas dele.Pois, buscava ser beneficiado, também, em tais relações pessoais.

Sempre queremos receber afeto nas diversas relações sociais. Por mais que haja o desejo de não se importar com isso, ainda assim, essa ideia acaba vindo bater na porta. Até quando essas relações são involuntárias ou desinteressada? No fim, isso não importa, afinal no dia a dia continuaremos nesse ciclo.

Buscando para receber. Plantando para colher. Olharmos e sermos olhados. Nossas ações por mais estranhas que sejam, acabam por ser baseadas, na maioria das vezes no que irão achar. Isso não significa que não possamos ajudar o outro sem querer algo físico em troca, mas um obrigado, um sorriso, uma lágrima pode representar essa troca.


Agatha Andrade

Em meio a milhares de vidas amontoadas buscamos o que está dentro de nós mesmos para nos sentirmos mais autônomos em um mundo tão igual. É só ao observar o vazio que tememos que ele, também, esteja além das estrelas. Medo de que essas estejam tão perdidas quando nós. Blog:www.screepeer.com.br.
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