Agatha Andrade

Em meio a milhares de vidas amontoadas buscamos o que está dentro de nós mesmos para nos sentirmos mais autônomos em um mundo tão igual. É só ao observar o vazio que tememos que ele, também, esteja além das estrelas. Medo de que essas estejam tão perdidas quando nós. Blog:www.screepeer.com.br

Garota, Interrompida: Sanidade ou Insanidade ?

Um filme é mais que imagens em um tela é um portal de reflexões, onde podemos pensar e repensar o interior e o exterior de nós mesmos. Garota Interrompida é mais que uma adaptação é mais uma lição.


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Não me culpe se eu disser que já quis escrever uma carta de despedida ao mundo. Não me culpe se eu disser que eu já desejei desaparecer por diversas vezes. Não me culpe se o meu mundo nunca pareceu o suficiente. Nessas horas nunca precisei de ninguém para me dizer que eu era louca, pois talvez, eu realmente estivesse. No fim, o que importa foi que engoli a dor e continuei.

Sou do tipo de pessoa que mais reclama do que agradece. O tipo que mais chora do que se irrita, sempre fui assim, mas existe uma fase da vida que tudo parece se intensificar. Poderia eu dizer que ela passa, porém ainda não cheguei ao final dela. Se essa for uma estrada, está escura o suficiente, para não enxergar seu final. Só posso dizer que parei de reclamar tanto e tento parar de falar.

Não obstante nunca de escrever, pois é isso que me faz levantar todos os dias. Poder reler o que se foi e implorar por um amanhã melhor, ou simplesmente, de vez em quando, rir do que passou. O cinema e a literatura são como diários alheios que me ajudam, a repensar o que as vezes levo tão a sério.

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O filme Garota Interrompida me fez parar. Refletir. Repensar. Buscar sentido. Compreender. Ir além. O longa me inspirou a querer viver. Podem dizer isso é persuasão e respondei: " é escolha". Talvez, seja porque não me vi muito diferente da personagem principal, muito menos longe dos mesmos paradigmas.

Cheguei a dizer " Preciso passar um tempo em uma clinica dessa" com o decorrer do filme. Quando acabou eu já não tinha tanta certeza, pois em duas horas já havia repensado o que a personagem demorou bem mais para ver. Talvez, amanhã eu precise rever, mas hoje me ajudou a sobreviver.

Veja bem, não estou aqui para discutir os métodos utilizados na clínica ou se concordo ou não. O que mais me interessou foi o processo que Susanna Keysen na sua realidade e em sua mente. Onde que suas própria duvidas e confusões interiores a levaram.

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No filme Susanna é identifica com portadora do Transtorno de Personalidade Borderline, nos anos 60, após uma tentativa de suicídio. Sua mente está tão confusa que ela não consegue mais ver sentido no que ela vê ou sente. Suas atitudes são rapidamente variáveis: Triste, deprimida, sarcasmo, fúria, comportamento sexual impulsivo.

Fica difícil definir a personagem até para quem assiste o longa, pois ela mesma não se compreende. O filme trata muito das questões existenciais, de achar um lugar em mundo, onde tudo parece tão pré estabelecidos. Isso ao mostrar o passado de Susanna, fica explicito o quanto todos sabiam o que iriam fazer ou que iriam para faculdade, mas ela não. Será que o caso dela é tão diferente do que os problemas causados pela vida moderna, ou melhor, pelos sentimentos que a correria acaba por despertar ? Sentimentos adolescentes que para Susanna aos 18 anos não conseguia se livrar. Questões que a faziam da vida duvidar. O mundo desejando mais dela do que ela poderia dar.

Na clinica se podia encontrar diversos casos diferentes, mas só se saía quando se apreendia a viver com toda a confusão do mundo. Querer fazer parte de alguma maneira mesmo que ele não faça sentido algum. Não se apegar a loucura que tudo isso causa, mas sobreviver.

Não estou naturalizando. Isso é um problema, mas quando se trata de sentimentos dificilmente algo não se classifica como tal. Não sei sou louca ou algo assim, mas compreendi perfeitamente o se agarrar a sanidade para que a loucura não fique mais intensa do que se poderia controlar.

A personagem de Angelina Jolie, Lisa Rowe, fora quem escolheu se agarrar a suas próprias insanidades. Perdendo-se dentro de seus próprios problemas e escolhendo sempre fugir deles ao invés de enfrentar. Para aquelas mulheres haviam escolhas, a de se apegar a sanidade, a de se apegar a loucura ou a de fugir. Susanna escolheu o seu, mesmo que os demais pudessem parecer cômodos, mas a sua maneira ela escolheu se abraçar a sanidade. O mundo não fez mais sentidos, tal como seus problemas não diminuíram, mas ela apreendeu a conviver com eles a sua maneira.

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O filme é baseado em um livro sobre a história real de Susana Keysen. A perspectiva como são tratadas os acontecimentos pode ser um reflexo da própria data em que se passa a história. Nos anos sessenta os métodos e analises de tais situações são diferente. O não se encaixar em modelos, hoje, pode ser algo comumente tratado, porém nesse período nem sempre.

Observação: Veja bem, essa analise teve como objetivo tratar questões da adolescência, a partir de um longa. O transtorno de Borderline é um problema que pode ocorrer na adolescência e pode sim ser considerado sério. Não obstante, não estou tratando dele, mas de sentimentos que estão intrínsecos e que podem ocorrer comumente.


Agatha Andrade

Em meio a milhares de vidas amontoadas buscamos o que está dentro de nós mesmos para nos sentirmos mais autônomos em um mundo tão igual. É só ao observar o vazio que tememos que ele, também, esteja além das estrelas. Medo de que essas estejam tão perdidas quando nós. Blog:www.screepeer.com.br.
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