Agatha Andrade

Em meio a milhares de vidas amontoadas buscamos o que está dentro de nós mesmos para nos sentirmos mais autônomos em um mundo tão igual. É só ao observar o vazio que tememos que ele, também, esteja além das estrelas. Medo de que essas estejam tão perdidas quando nós. Blog:www.screepeer.com.br

Como Ser Solteira

Passamos parte da vida tentando nos encontrar em outro alguém. Tentando nos sentir completos com a tão sonhada metade da laranja – torcendo para que a cada relacionamento fracassado estejamos mais próximos do “verdadeiro amor”. Consideramos a ausência do relacionamento um sinal para procurar um novo, pois assim o mundo fará mais "sentido". Bom, a vida vai bem além desse senso comum e o filme How To Be Single (“Como Ser Solteira”) retrata isso de uma forma engraçada e realista.


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Alice acaba de sair de um relacionamento e deseja conhecer novas possibilidades, – Robin irá ajudá-la nisso - mas não é algo tão simples. Afinal, após anos em um único relacionamento ela não faz a mínima ideia de como o fazer. Ela passa muito tempo acreditando que tem que voltar para aquele relacionamento para ser feliz. Tal que, ela tenta iniciar outros, mas não se vê capaz de ser parte de algo.

Lutamos tanto para podermos nos sentir completos juntos a outra pessoa que nos esquecemos de que primeiro temos que apreender que o estar sozinho tem um lado bom. Esse lado não é exatamente o de sair para balada e dormir com estranhos, mas o de encontrarmos a nós mesmos primeiro. Saber o que queremos viver, realizar e fazer na vida.

O caminho até essas descobertas é longo e conturbado. O fim nem um pouco específico, mas é nessa conturbação toda que se aprende a sonhar e realizar por si só. Por vezes mal sabemos quem somos ou que queremos, falta algo e logo jogamos a culpa para o vazio do lado. Com tempo vamos aprendendo que a vida vai além de estar com alguém, mas que temos que lidar com o que há dentro de nós.

Atendendo as nossas diversas necessidades que vai muito além do grande amor. Não quero de maneira alguma desmerecer o tal, mas é importante se ter a certeza de gostar de estar consigo mesmo. Rir com os amigos. Experimentar tudo de bom que o mundo pode lhe mostrar. As diversas paisagens a serem exploradas no mapa.

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Alice no filme vive exatamente cada uma dessas fases, lamentando o relacionamento que acabou, pois ainda não apreendeu a ficar sozinha. Mesmo que, seu objetivo inicial fosse terminar e viver tudo o que ela nunca pudera fazer por estar namorando, quando ela perde esse porto seguro ela fica temerosa e assustada. Cada momento e inseguranças desse novo caminho é tratado no longa metragem.

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O filme ainda trabalha com outros personagens bem interessantes nessa vida agitada de Nova York, assim como a mulher que deseja encontrar o amor da vida dela na internet e a médica que está lidando com diversos conflitos da meia idade. Cada uma tentando lidar com essa questão de uma maneira diferente, diferentes pontos de vista e interesses ao se lidar com os seus objetivos e desejos.

O mais interessante é que o longa aparentemente trabalha com o clichê do cinema americano, inicialmente, mas da metade em diante no filme essa barreira da mesmice vai sendo quebrada. É um filme maravilhoso que vale a pena ser visto e revisto, além de deter diversas reflexões para serem feitas e muitas risadas a serem dadas.

Mostrando ainda o quanto que cada um deve buscar o que lhe faz bem e não apenas o que o que está acostumado a fazer por fazer ou o que o nível de tendência social manda. Buscar o que você realmente precisa, independente, do caminho que precisará fazer até lá. Até porque as coisas só começam a se transformar quando estamos dispostos a mudar a direção, mesmo com a certeza dos tombos que podemos levar, ainda assim, saber que sempre haverá uma forma de levantar e continuar.

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Agatha Andrade

Em meio a milhares de vidas amontoadas buscamos o que está dentro de nós mesmos para nos sentirmos mais autônomos em um mundo tão igual. É só ao observar o vazio que tememos que ele, também, esteja além das estrelas. Medo de que essas estejam tão perdidas quando nós. Blog:www.screepeer.com.br.
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