Agatha Andrade

Em meio a milhares de vidas amontoadas buscamos o que está dentro de nós mesmos para nos sentirmos mais autônomos em um mundo tão igual. É só ao observar o vazio que tememos que ele, também, esteja além das estrelas. Medo de que essas estejam tão perdidas quando nós. Blog:www.screepeer.com.br

Into the Wild: Reflexões

“Você sabe, falo de livrar-se desta sociedade doente… Sabe o que eu não entendo? Porque as pessoas, todas as pessoas, são sempre tão más umas com as outras. Não faz sentido. Julgamento. Controle. Todas estas coisas… De que pessoas estamos falando? Você sabe, pais, hipócritas, políticos, canalhas.”
( Christopher McCandless/Alexander Supertramp)


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Into the Wild é um longa-metragem de 2007, de não ficção, baseado no livro de Jon Krakuer, um jornalista que resolveu escrever a história da viagem de Alexander Supertramp ao Alasca e dentro de si mesmo.

Chris McCandless é um jovem de classe média que acaba de findar a faculdade. Detido de uma vida cômoda de um típico jovem americano de classe média. Fora criado por pais que estavam sempre brigando e exigindo muito dele, ele vê o mundo como um local repleto de hipocrisia. Recém-formado, ele tem como influencia diversos autores que pregam a liberdade. O que aparenta ser um dos empurrões que o leva a abandonar as amarras sociais e sair viajando como andarilho.

Ele se livra de tudo o que é identificação, doa todo seu dinheiro e vai embora. A partir daí, começa sua jornada para viver longe de toda aquela pressão em que foi colocado desde cedo. Ele escolhe o nome de Alex Supertramp ao iniciar sua solitária jornada.

O filme vai mostrando desde o inicio de sua jornada e cortando com o seu presente – o instante que ele chega ao Alaska, o local que ele cismou que deveria chegar. Para trilhar seu caminho ele abandona seus pais e irmã, e, vai conhecendo diversas pessoas. O que nos permite conhecer um pouco mais seu pensamento e o que o levou a decidir abandonar tudo.

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O filme deixa cada vez mais claro uma fuga do personagem. A vontade de não só tentar fugir do que o pressionava, mas de si mesmo. A raiva e a magoa de seus pais é tão grande que a ideia de fugir o faz acreditar que é capaz de esquecer, mas é nítido que só está enganando a si mesmo. Afinal, por mais ele tente ir embora e esquecer sempre há aquela magoa gritando dentro dele.

Fugir não é viver é enganar a verdade, e, torcer para tudo ficar bem. Fugir não é mostrar que temos forças para continuar, mas que não temos. É desistir, e, tentar encontrar a paz no externo e não em nosso próprio interior. Acredito que, uma grande mensagem que consegui captar foi a de buscar a felicidade a cada dia, tantos nos bons quanto nos ruins e não achar que fugir dos problemas irá mudar algo.

Quando Alex encontra um senhor ex-militar, ele diz para ele que a felicidade está na beleza de ver o mundo. O senhor retruca se referindo a magoa nítida do rapaz com os pais e que perdoar é amar, e, amar é viver - isso que ele só nota quando está isolado no Alaska. Já perdido em seu caminho ele nota que a felicidade só é real quando compartilhada.

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A história segue um ritmo de reflexão, do inicio ao fim, onde a cada fase do protagonista nos vemos pensando sobre seus atos e caminhos que ele escolheu. A beleza de sua vida, assim como tragicidade das encruzilhadas do destino.


Agatha Andrade

Em meio a milhares de vidas amontoadas buscamos o que está dentro de nós mesmos para nos sentirmos mais autônomos em um mundo tão igual. É só ao observar o vazio que tememos que ele, também, esteja além das estrelas. Medo de que essas estejam tão perdidas quando nós. Blog:www.screepeer.com.br.
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