sendo urbano

A essência urbana sem esquecer a condição humana

Leonardo Martins

Observar, filtrar, observar, refletir, observar, agir!
A cidade precisa além de grandes reflexões, possibilidades de ações sistêmicas, orquestradas e coletivas.
Em prol de todos, em prol dela mesmo

Qual o seu Arquiteto Preferido?

Popular em 5 em cada duas entrevistas de emprego em Arquitetura, essa pergunta cilada é na verdade um dos maiores enigmas da história assalariada moderna.
Saiba como driblar esse imbróglio com elegância e naturalidade.


Respondendo a célebre pergunta no divã da entrevista.

Qualquer um que seja da área de Arquitetura e já participou de mais de dois processos seletivos, provavelmente deixou escapar um sorriso de canto de boca ao se deparar com essa pergunta. A pergunta campeã em servir como quebra gelo na audição do aspirante a colaborador de escritórios de Arquitetura busca qual resposta?

SESC Pompeia - Lina Bo Bardi - Foto: LMartins Fotografia

Será que o segredo para se dar bem é citar os renomados e consagrados Arquitetos Internacionais?

Ou apostar na prata da casa seria uma boa investida?

Há também a opção de surpreender, trazendo nomes em ascensão, seja em premiações internacionais ou até mesmo em nossos concursos de ideias tupiniquins.

Seja qual for a resposta, quanto será que ela diz sobre você?

Ou mais inquietante ainda... Quanto será que a pergunta diz sobre o escritório ao qual você está se candidatando?

É básico que os estudantes de Arquitetura, durante os pelo menos cinco anos que estão na Academia, estão envoltos com a produção Arquitetônica de diversos atores, movimentos e contextos temporais. Com tempo, oportunidade e um pouco de vontade é possível explorar muitos deles, e ter na cabeça um repertório arquitetônico respeitável. Uma pergunta como essa na primeira entrevista da vida pode até acender o brilho no olhar, mas passadas as primeiras entrevistas e calejando a cuca com a melhor forma de ter um bom resultado nelas, essa pergunta se torna um pé no saco.

FAU USP - Vilanova Artigas - Foto: LMartins Fotografia

Muitas vezes o Arquiteto que mais admiramos, que nos inspira e que achamos genial cria e desenvolve seus projetos em contexto completamente diferente do nosso, em condições sociais e econômicas completamente díspares do que vivemos em toda história do mercado Arquitetônico Brasileiro.

E o mais conflitante de tudo isso: E quando o escritório ou Arquiteto que te pergunta isso só trabalha em função da especulação imobiliária? Junta ambientes como se fosse um tangram e cria incríveis habitações de três quartos em 20 m² praticamente insalubres?

É ou não é uma arapuca? uma cilada?

Os mestres do pagode romântico dos anos 90 poderiam até ter composto uma melodia com essa temática.

O que fazer nessa hora? Responder! Sempre! O silêncio sepulcral não combina com a mesa de reunião na hora da entrevista. Conhecer a produção do escritório almejado é fundamental e regra numero 1. A partir daí, da pra fazer uma inferência nos projetos e traçar um caminho.

A vocação do escritório diz muito sobre o que eles esperam ouvir. Não tem vocação? Faz de tudo? Então fale o que o coração mandar, mas melhor do que isso, justifique! Cite umas cinco obras, diga o porquê da escolha, discorra sobre o estilo do escolhido e mostre que você conhece mesmo e não decorou dois ou três pra tentar impressionar.

E não chore! Existem limites nas entrevistas, apesar de não parecer!


Leonardo Martins

Observar, filtrar, observar, refletir, observar, agir! A cidade precisa além de grandes reflexões, possibilidades de ações sistêmicas, orquestradas e coletivas. Em prol de todos, em prol dela mesmo.
Saiba como escrever na obvious.
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