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Papofluido

Prof. Juan Daniel

Marido,pai,professor e construtor de um environment melhor. “Seja a mudança que você quer ver no mundo.”
Mahatma Gandhi

O Mal-Estar na Pós-Modernidade Segundo Zygmunt Bauman

Neste texto damos continuidade à serie "Mal-Estar da Cultura" ampliando um pouco mais a discussão sobre as tendências sociológicas e psicológicas da nossa contemporaneidade. Ampliamos o conceito de liquidez, a metáfora de Bauman aplicada aos varios segmentos da nossa sociedade, dando assim, um panorama mais acurado sobre os atuais acontecimentos no mundo. Boa leitura!


Parte II

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“O Mal-Estar da Pós-modernidade” é o livro do sociólogo Zygmunt Bauman no qual faz uma releitura de Freud sob o ponto de vista da sociologia contemporânea. Liquidez é a metáfora que Bauman utiliza para explicar o sentido da pós-modernidade. A crise das ideologias fortes, “pesadas”, “sólidas”, típicas da modernidade produziu uma cultura fluida, líquida, leve, caracterizada pela precariedade, incerteza, rapidez de movimento, característicos da pós-modernidade.

Vivemos com uma sensação de que algo está errado com a humanidade. O mal-estar social é resultado de algo instalado na consciência do homem pós-moderno como uma angustia, vive como um peregrino sem rumo histórico!

A sociedade contemporânea vive um sentimento de fracasso por não alcançar a tão almejada felicidade. As utopias se desmancharam no ar, as ideologias coletivas se fragmentaram em aspirações individuais. Toda a estrutura sólida de uma sociedade ancorada nos preceitos positivistas de “ordem e progresso” ruíram.

A idade das luzes, a supremacia da razão com a certeza de que o homem evoluiria e que as sociedades se tornariam cada vez mais civilizadas, tal como apontava Comte. Quando analisamos a onda dos acontecimentos, percebemos que o “tempo começou a fechar” passando para uma primavera, onde as flores são de plásticos e o chão é de uma fina casca de gelo, se pararmos, caímos. Precisamos manter o movimento, mas não sabemos exatamente em que direção.

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O Estado perdeu sua referência. O Estado na Modernidade era sólido e se caracterizava por uma noção de estado organizado, produtor de justiça, que garantiria a qualidade de vida das pessoas, e teria um “capitalismo civilizado” e sob controle.

O Estado na pós-modernidade perdeu o poder para o mercado livre, perdeu o propósito de sua existência. Porque quanto maior, mais atrapalha, o estado se descobriu uma empresa ineficiente.

A família tornou-se liquida. A qualquer momento se desfaz. Os relacionamentos tornaram-se descartáveis, seguindo uma certa lógica do mercado capitalista. “O amor é uma hipoteca baseada num futuro incerto e inescrutável” (Bauman, 2003).

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A religião. Tornou-se mais um amuleto que uma confissão. Sem sacrifício e dogmas complexos. Uma religião light. Fácil de consumir.

A grande contribuição de Bauman é que ele chama a atenção não apenas para as mudanças culturais que estão acontecendo na sociedade contemporânea, mas também sobre os efeitos que estas estão produzindo na vida corriqueira dos relacionamentos, dos afetos e dos sentimentos humanos.

Na próxima semana veremos como os relacionamentos se fragilizaram.


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Marido,pai,professor e construtor de um environment melhor. “Seja a mudança que você quer ver no mundo.” Mahatma Gandhi .
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