ser pensante nessa vida errante

CABEÇA E ALMA A 440V

CARLA PEPE

Carla Pepe, historiadora,poeta, aprendiz de bloqueira. Gosto de filmes, poesia, livros, política, psicologia, sociologia. Penso muito, erro muito também. Amo a vida em sua intensidade, em superfícies não me detenho. Minha voltagem é 440.

Sobre o amor em tempos de paparazzi

Um astro de rock, uma estudante, um filme despretensioso, Berlim em 2010. O amor em tempos de paparazzi. Será que o amor supera todas as dificuldades e desventuras? Supera a falta de novidades a ser contada nas fotos e redes sociais? O amor pode ser redefinido inúmeras vezes, afinal a vida é uma incrível aventura a ser reconstruída.


Selfies de beijos românticos, stickers de corações, fotos românticas na praia. Parecem cenas de clipe do astro de rock ou filmes daqueles bem açucarados, mas são retratos das relações amorosas nos tempos modernos. Sem qualquer registro parece que elas não existem. Será?!

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“Groupies não ficam para o café da manhã” é um filme alemão do gênero romântico de 2010 que vale a pena zapear. É despretensioso, gostoso de ver e que ainda oferece um excelente passeio por Berlim. Trata-se de um longa-metragem divertido e com muitos elementos da cultura pop europeia. Claro que respeita o estilo a que se propõe, mas tem agilidade, diversão e sensualidade o que nos garante um filme bom para pensar na nova juventude que vem se moldando nos astros pop e sua vida perseguida pelos paparazzi e por estarem 100% do tempo no ar.

A jovem Lila se apaixona pelo encantador Chris, líder de uma banda. O que ela não sabe é que ele é a nova celebridade de Berlim, isso porque a jovem acabou de voltar de um intercâmbio dos EUA. Ela, então se vê tragada pelo cenário da cultura pop. E nos muitos encontros e desencontros eles ficam tentando ficar juntos, mas a suposta fama do rapaz atrapalha o romance do casal. Em geral, é muito bonito: amar cenários, fotografias, selfies, ídolos, imagens, figuras irreais, personagens. A questão central é quando esses personagens viram reais. O momento em que as histórias românticas saem dos livros ou das telas dos cinemas e se tornam fato. Deixam de ser fotografia e se tornam relacionamentos reais.

Os filmes nos ajudam a projetar a realidade para idealizar, sonhar, mirar a frente. No entanto, é central, manter os pés no chão, mesmo que as asas estejam no céu. Os sonhos são esfera importante na formação dos nossos ideais, das nossas metas, do nosso olhar. Porém, é nosso andar que faz acontecer. O mesmo acontece no amor: é preciso deixar o outro ser ele mesmo. Afinal, ele pode não ser um astro de rock de um filme romântico. Ele pode ser apenas um rapaz tão cheio de defeitos quanto você. E aí? O que fazer quando os desafios acontecerem? Partir para outra? Talvez por isso o amor ande tão líquido, tão rápido, tão fugaz. Porque é fundamental ir seguir quando as fotos perderem os sentido. Quando as selfies ficarem desinteressante. Quando o fato do outro ser estrela de rock passar a ser um grande incômodo.

Afinal, toda história tem obstáculo, senão ela perderia completamente a graça. O principal, talvez seja, entender, como Lila e Chris, que toda história pode ser sempre redefinida para se manter importante em sua vida. Enfim, o mais legal é que o amor, não é o elemento central, nessa deliciosa comédia, ele é apenas coadjuvante. O essencial é a capacidade de ir além para encontrar a si mesmo e o outro. A vida só é legal se for encarada assim como uma grande e incrível aventura.


CARLA PEPE

Carla Pepe, historiadora,poeta, aprendiz de bloqueira. Gosto de filmes, poesia, livros, política, psicologia, sociologia. Penso muito, erro muito também. Amo a vida em sua intensidade, em superfícies não me detenho. Minha voltagem é 440. .
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