ser pensante nessa vida errante

CABEÇA E ALMA A 440V

CARLA PEPE

Carla Pepe, historiadora,poeta, aprendiz de bloqueira. Gosto de filmes, poesia, livros, política, psicologia, sociologia. Penso muito, erro muito também. Amo a vida em sua intensidade, em superfícies não me detenho. Minha voltagem é 440.

DUFF - sobre ser você mesma numa sociedade de padrões

Como ser você mesma numa sociedade de padrões estéticos plásticos e tão iguais. Como sustentar uma auto-estima sem se rotular. Quais são os elementos fundamentais para se manter afetivamente saudável e ser quem você é?


O filme DUFF de 2015 parece a primeira vista despretencioso e mais uma comédia norte-americana. No entanto, um olhar mais cuidadoso no faz ver que seu diretor Ari Sandel vai além, da superfície pueril dos filmes adolescentes pré-formatura. Sua proposta é questionar o sistema de rótulos extremamente presente no sistema de ensino americano, que está sempre enquadrando os indivíduos em "grupos ou panelas". DUFF (Designated Ugly Fat Friend) é o termo designado pelo amigo/amiga feia e gorda que serve de "escada" para se chegar nas amigas/amigos bonitos do grupo, ou para levantar a auto-estima quando se está muito mal. Tal como, você está ótima, podia estar como a fulana "DUFF".

O filme começa desenrolar quando a personagem principal descobre ser uma DUFF de suas melhores amigas (magras, altas tais como modelos de comerciais de lingerie). Bianca, a personagem principal, inicia então seu questionamento sobre padrões e os relacionamentos a partir daí. O filme é apoiado pelo excelente elenco, todos funcionando bem entre si. E temas como cyber builing, mídias sociais, entre outros, são tocados no ponto de um filme leve, tipo sessão da tarde. A crítica à tecnologia é feita sem, no entanto, exclui-la de nossas vidas.

Imagen Thumbnail para gratidao-destaque.png

Num dado momento do filme, a personagem principal cai em si e percebe qual é o real problema dos rótulos. Eles servem apenas para quem precisa de auto-afirmação. E solta uma das frases mais marcantes do filme "Só não me coloca pra baixo por não dar a mínima para os seus padrões." Re-afirmar sua auto-estima num mundo tão tecnológico, tão cheio de selfies, plásticas, corpos perfeitos, magros e iguais, é tarefa árdua para sujeitos que buscam o caminho oposto.

É preciso encontrar um caminho para a valorização de uma alternativa estética aos rótulos que são maciçamente impostos pela mídia conservadora. Encontrar saída de auto-afirmação que não seja pela competição ou pela deterioração do outro parece ser um caminho complexo e difícil, mas que a personagem encontra pela via de sua rede de sustentação e pelo seu potencial criativo. Assim somos nós: podemos ser mais do que os padrões determinam, podemos ir além do que dizem de nós, mas para isso precisamos de elementos fundamentais. Podemos fazer muito mais, sem necessariamente destruir o outro. Podemos ser originais, sem precisar copiar ninguém. Precisamos de rede apoio, de criatividade, de entender quem somos e qual nosso papel no mundo. Talvez a tarefa mais árdua seja efetivamente fazer plástica interior e nos transformar, afinal a vida já é difícil o suficiente para gente ficar sempre igual.


CARLA PEPE

Carla Pepe, historiadora,poeta, aprendiz de bloqueira. Gosto de filmes, poesia, livros, política, psicologia, sociologia. Penso muito, erro muito também. Amo a vida em sua intensidade, em superfícies não me detenho. Minha voltagem é 440. .
Saiba como escrever na obvious.
version 7/s/cinema// @obvious, @obvioushp //CARLA PEPE
Site Meter