ser pensante nessa vida errante

CABEÇA E ALMA A 440V

CARLA PEPE

Carla Pepe, historiadora,poeta, aprendiz de bloqueira. Gosto de filmes, poesia, livros, política, psicologia, sociologia. Penso muito, erro muito também. Amo a vida em sua intensidade, em superfícies não me detenho. Minha voltagem é 440.

Eu, eu mesma e minhas cópias

Será possível mudarmos nossa personalidade? Ou apenas afinamos o tom, podamos os galhos, amadurecemos e aprendemos o que somos capazes de suportar e o que podemos calar. Somos apenas um ou muitos? Cada qual e espreita de aparecer e brilhar. Neste mundo multifacetado mudar torna-se, muitas vezes, única forma de sobreviver, de encontrar o cais e de ressignificar quem somos.


A psicologia acredita que a nossa personalidade se forma na adolescência. Depois dessa fase, pouca coisa se transforma. Outros teóricos, acreditam que estamos o tempo todo nos transformando. No entanto, há teorias que temos muitas máscaras que utilizamos para sobreviver nos diversos espaços que habitamos (escola, trabalho, família, amigos, entre outros). Somos uma pessoa em casa, no trabalho somos mais contidos, com os amigos mais expansivos. É verdade que os traços de personalidade estão presentes todas as cópias minhas existentes por aí, mas com nuances importantes.

Há também os personagens que queremos cria: a mulher sedutora, a intelectual sabichona, a mãe que dá conta de todas as tarefas. Também é fato de que o que me consome mais tempo, me faz assumir aquela máscara mais profundamente. Por isso, muitas mulheres tem dificuldade de separar a mulher e a mãe, ao viverem a experiência da maternidade. Claro que há momento marcantes na vida dos indivíduos: nascer, crescer, adolescer, ter filhos, a morte de pessoas significativas, um trauma. Todos esses fatos modificam nossa personalidade, em boa parte das vezes sem nos darmos conta.

597px-Hacedor_de_máscaras.jpg

E assim vamos nos misturando até que não saibamos mais exatamente quem somos. Se eu sou eu ou sou mais uma das minhas cópias. A tarefa de olhar para dentro de si e procurar enxergar quem é, exige coragem e ousadia. E vou além, demanda escolha, pois talvez algumas cópias terão que ser recicladas. Na maior parte das vezes, é mais fácil dizer "eu sou assim mesmo, nasci assim e vou ser sempre assim." Mas faz-se necessário perguntar: “será mesmo que você sempre foi assim e será sempre assim?” Ou será que ligou o piloto automático e se deixou guiar pela “sorte”.

Por fim, é fato que alterar quem somos exige um lançar-se no escuro. No entanto, muitas vezes é preciso para reelaborar vivências que nos mantem presos a determinados padrões. Trata-se de reestruturar e dar novos significados a quem somos e, na maioria das vezes, no impulsione a ir além. Para isso, olhar francamente para dentro de si mesmo é essencial. E aí quando reconhecemos , dentre as muitas cópias, quem somos, podemos então transmutar.


CARLA PEPE

Carla Pepe, historiadora,poeta, aprendiz de bloqueira. Gosto de filmes, poesia, livros, política, psicologia, sociologia. Penso muito, erro muito também. Amo a vida em sua intensidade, em superfícies não me detenho. Minha voltagem é 440. .
Saiba como escrever na obvious.
version 5/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //CARLA PEPE
Site Meter