ser pensante nessa vida errante

CABEÇA E ALMA A 440V

CARLA PEPE

Carla Pepe, historiadora,poeta, aprendiz de bloqueira. Gosto de filmes, poesia, livros, política, psicologia, sociologia. Penso muito, erro muito também. Amo a vida em sua intensidade, em superfícies não me detenho. Minha voltagem é 440.

(Re) Existir todos os dias como se fossem o primeiro

Vivemos achando que nossas escolhas são apenas nossas, quando na verdade são fruto de uma série de influências. Nossas escolhas são datadas historicamente. Ser um outsider num mundo de padrões requer ousadia e coragem. Escolha ser você mesmo que o preço a pagar seja alto. No final, o sentimento que fica é o de vida vivida em sua plenitude.


“Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida?” (Milan Kundera)

Há uma ideia de que todas as escolhas que fazemos são individuais. Ideia essa, na minha opinião, equivocada. Cada decisão que tomamos está marcada por uma série de influências, sejam elas sociais, culturais, econômicas, politicas. O que decido hoje é completamente do que eu decidiria há 200 anos atrás. Por exemplo, seria impensável uma mulher votar há uns 100 anos atrás, uma mulher cientista ou mesmo presidente de uma instituição cientifica. Hoje, apesar de todas as dificuldades, as mulheres votam como se sempre tivesse sido assim, são presidentes e cientistas como se também naturalmente as conquistas tivessem acontecido dessa forma.

Claro que boa parte das nossas escolhas são inconscientes ou mesmo influenciadas pelo meio em que vivemos. Escolhemos o que comer com base no que tivemos acesso desde bebês. Escolhemos os amigos com base nos laços e valores que criamos no interior das nossas casas. Sendo assim, nossas definições vão sendo delineadas, parecendo que são individuais quando na verdade são socialmente definidas. Sou responsável apenas parcialmente por aquilo pelo que considero bonito, atraente, nojento ou mesmo saudável.

Os que decidem seguir caminhos altamente singulares sobressaem: seja nos esportes, na música, nas suas composições. E falo dos mais famosos até mesmo os atores desconhecidos do nosso dia a dia que resolvem por alguma razão traçarem um caminho distinto. São outsiders: estrangeiros que possuem a mesma cidadania, falam a mesma língua, mas decidiram nadar caminhos inversos.

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E mesmo estes seres singulares estão sendo influenciados por universos que os cercam. Só que universos mais microscópicos. Decidiram mudar seus caminhos, aceitar o erro, o arrependimento, mas arriscarem a pensar fora da caixa padrão. Com certeza, criarão novos padrões, ampliarão novas formas de pensamento. Mas pagam preços altos por suas escolhas.

Não há perdão para aqueles que decidem romper elos, derrubar anilhas, soltar amarras. A sociedade é implacável com aquilo que lhe causa desequilíbrio. Por isso, chamam essas decisões de loucuras, de risco, de gente que não mede as consequências. No entanto, são esses que nos fazem ver o contraponto, o outro lado do espelho, o novo leque de possibilidades. Ou então, seremos todos como soldados de chumbo seguidores de um mesmo padrão de marcha e ainda achando que cada decisão foi individual.

A ousadia de (re) existir é essencial, mas em um mundo instagramavel está cada vez mais rara. Somos convidados sempre a ser uma cópia perfeita da vida de outras pessoas. Até que descobrimos a farsa que são suas vidas e seu vazio existencial. O melhor que podemos fazer por nós mesmos é escolher o que faz nosso coração bater mais rápido e nosso sangue correr nas veias. O pior, talvez seja, chegar ao final na conclusão de que viveu sem ter estado vivo de verdade. Por isso, ouse, tenha a coragem de ser você e experimente aquilo que faz suas pernas ficarem bambas, sua boca seca, seu coração palpitar.


CARLA PEPE

Carla Pepe, historiadora,poeta, aprendiz de bloqueira. Gosto de filmes, poesia, livros, política, psicologia, sociologia. Penso muito, erro muito também. Amo a vida em sua intensidade, em superfícies não me detenho. Minha voltagem é 440. .
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