serendipismo

As melhores descobertas são feitas ao acaso.

Juliana Fiúza

Sou guia de turismo, tenho 21 anos e moro no Rio de Janeiro. Faço parte de dois projetos: RJ Free Walking Tour e Vou Pra Onde?. Fui estagiária no Palácio Guanabara e ganhadora do Talentos Sesc Senac 2016.
Tenho um podcast sobre história e cultura do RJ, sou da Corvinal, apaixonada por livros, Tom Jobim é meu artista favorito e torço para o Borussia Dortmund.

7 Coisas Que Não Te Ensinaram Na Aula de História

Já parou pra pensar na possibilidade da história do seu país ir mais além do que lhe ensinaram? Pois é verdade. Neste artigo destacarei as sete maiores curiosidades que, ou nos foram contadas de forma deturpada, ou nos foram omitidas. A história do Brasil vai muito além dos livros didáticos que nos passam e é muito mais divertida e interessante do que nos fazem acreditar, ou muitas vezes, tentam.


Antes de enumerar as sete coisas, gostaria de esclarecer que todas as informações vieram de historiadores especialmente dispostos a descortinar o senso comum da história do Brasil, e que não é minha intenção ridicularizar a história de nosso país, o império, e principalmente D. Pedro II, pelo qual possuo grande admiração.

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1 – O Brasil já era chamado de Brasil antes de ser descoberto

Todos conhecem aquela famosa história de que o nome do nosso país veio da árvore pau-brasil, que havia em abundância quando os portugueses chegaram. Isso não está errado, mas acontece que o Brasil já era identificado com esse nome desde o século XV em mapas antigos de navegação, era conhecido como as Ilhas do Brasil, ou Brasilis. O nome definitivo veio após a tentativa de Colombo de trazer o catolicismo para a nova terra, a batizando de Terra de Vera Cruz, o rei de Portugal alterou a chamando de Terra de Santa Cruz, pois não acreditava que a verdadeira cruz, significado de Vera em italiano, estaria em uma terra tão distante. A questão é que os humanistas da época rebateram a idéia de um novo reino ser chamado de Santo, e levar a fé católica em seu nome, e chamam de Terras do Brasil, José de Anchieta foi quem pôs o fim na discussão, batizando de Brasil a terra, justificando em suas cartas que assim já era chamada pela abundância de pau-brasil naquela terra.¹

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2 - E quem descobriu o Pau-Brasil?

É importante ligar os pontos quando se trata de história. Se sabemos que o nome do Brasil veio do pau-brasil, como os portugueses reconheceram a árvore? Acontece que eles já conheciam a planta de outras viagens, especialmente da Índia, que era o grande mercado do século XVI. Tudo se encontrava lá! Não foi diferente com o açúcar, que os indianos descobriram as plantações na África, mas vendiam em seu território. Ao observarem o clima semelhante no Brasil, os portugueses resolveram plantar a cana de açúcar e deixar de depender da índia para questões econômicas.²

1024px-Palácio_Pedro_Ernesto_-_Fundação_da_Cidade.jpg Quadro Fundação da Cidade do Rio de Janeiro. Autor: Antonio Firmino Monteiro (1855-1888)

3 - O Nome do Rio, além do óbvio

O nome do Rio de Janeiro não foge muito à linha. As cidades mais antigas do Brasil levam nomes de santos, na tentativa de trazer o catolicismo para o Brasil, devido às correntes contrárias à religião católica que se expandiam pela Europa e mundo. O nome oficial é São Sebastião do Rio de Janeiro. O santo já foi explicado, e o Rio é porque quando adentraram a baía de Guanabara, os portugueses chamaram a as água em que navegavam de rio, pois era assim que chamavam as correntes de águas calmas. De janeiro, é o mais óbvio de todo, era o mês de janeiro! Acontece que com o tempo São Sebastião foi deixado de lado, e Rio de Janeiro se oficializou como estado e cidade, e pra ser sincera, o ‘de janeiro” já está seguindo o caminho de São Sebastião. ³

ilhafiscal.jpg Parte principal do quadro de Francisco Figueiredo, cujo original se encontra no Museu Histórico Nacional.

4 – A queda do Império (literalmente)

Todos aprenderam a famosa história do Último Baile celebrado na Ilha Fiscal. Particularmente não sei por que o chamamos assim, já que foi o primeiro e único baile realizado, e por mais que nos contem que foi extremamente glamoroso, a verdade é que havia mais pessoas do que a ilha poderia sustentar, não havia banheiros e os que não eram nobres assistiram o baile nas margens da baía, onde era o morro do Castelo. Além disso tudo, ao descer do barco que o levou ao baile, D. Pedro II caiu ao pisar em terra firme, sua majestade se levantou e disse: cai o Imperador, mas não cai o Império; seis dia depois foi proclamada a república .

IMG_4524.JPG Foto: Ivo Korytowski

5 – O Processo Mais Longo da História

Em 1865, após comprarem de José Machado Coelho, um palacete em Laranjeiras, a Princesa Isabel e seu esposo reformaram o local e se mudaram para lá. Onde hoje é o Palácio Guanabara, sede do governo do estado, era a residência da princesa e sua família. Isso, até a Proclamação da República, quando através de um decreto, o chamado Paço Isabel, virou patrimônio da união e a família real teve que deixar o local. Detalhe que isso ocorreu um mês após realizarem um banquete em comemoração à bodas de prata da Princesa. A família ficou dois dias em Petrópolis, até serem exilados. Claro que recorreram na justiça para reaver o palácio, mas até hoje, o processo não foi encerrado, e entrou para a história do país como o processo mais longo.

Retrato-de-Maria-I.jpg Pintura atribuída a Inácio de São Paio, no século XVIII, em exposição no Palácio Nacional de Sintra, em Portugal.

6 – Quem é a Maria que vai com as outras?

Quem nunca ouviu alguém dizer que fulano era “Maria vai com as outras”? A origem dessa alcunha pejorativa vem da Rainha Maria, também conhecida como Dona Maria Louca, que veio para o Brasil em 1808, com a família real. A Dona Louca, possuía distúrbios mentais e tinha comportamentos inapropriados para alguém da realeza, para compensar, ela adorava fazer caminhadas, e um de seus lugares favoritos era o Cosme Velho, onde ia com frequência e quase que sempre, se refrescava na fonte que até hoje leva o nome de Fonte da Rainha. Acontece que na época, rolava o boato de que a rainha frequentemente se despia para banhar-se na fonte, a má fama que isso dava a realeza era imensurável, e com o passar do tempo a rainha não saia sem suas damas de companhia, que tinham a função de assegurar que a rainha mantivesse a compostura. Se tornou um hábito que Maria saísse sempre acompanhada, e aí surgiu o “Maria vai com as outras”.

Tiradentes.jpg Soldado mineiro (1746-1792)

7 – A verdade sobre Tiradentes

Tiradentes é conhecido como o herói da Inconfidência Mineira, porém, o movimento não partiu dele, e sim dos aristocratas de Ouro Preto que frequentemente viajavam para a Europa e traziam de lá seus ideais. Tiradentes também não era rico, porém possuía dois escravos, e ele não usava cabelos longos como notoriamente é retratado; ele era militar, e tudo nos leva a crer que pelo posto que ocupava, seu cabelos eram curtos e a barba feita. O fato é que comumente ele é retratado como o messias mineiro, ostentando então, a aparência de Jesus Cristo. Além disso, ele foi enforcado no Rio de Janeiro, onde hoje é a Praça Tiradentes, após assistir a missa do lado de fora da Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa.

¹ SOUZA, L. de M. O nome do Brasil. Nossa História, p. 34 – 39, Ano 1, Nº 06, Abril de 2004

²SOUZA, L. de M. O nome do Brasil. Nossa História, p. 34 – 39, Ano 1, Nº 06, Abril de 2004

³LYRA, C. C. Documenta histórica dos municípios do Estado do Rio de Janeiro. RJ: DHE, 2006, p. 177. Contribuição: José Lúcio Nascimento


Juliana Fiúza

Sou guia de turismo, tenho 21 anos e moro no Rio de Janeiro. Faço parte de dois projetos: RJ Free Walking Tour e Vou Pra Onde?. Fui estagiária no Palácio Guanabara e ganhadora do Talentos Sesc Senac 2016. Tenho um podcast sobre história e cultura do RJ, sou da Corvinal, apaixonada por livros, Tom Jobim é meu artista favorito e torço para o Borussia Dortmund. .
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