serendipismo

As melhores descobertas são feitas ao acaso.

Juliana Fiúza

Sou guia de turismo, tenho 21 anos e moro no Rio de Janeiro. Faço parte de dois projetos: RJ Free Walking Tour e Vou Pra Onde?. Fui estagiária no Palácio Guanabara e ganhadora do Talentos Sesc Senac 2016.
Tenho um podcast sobre história e cultura do RJ, sou da Corvinal, apaixonada por livros, Tom Jobim é meu artista favorito e torço para o Borussia Dortmund.

A Arte de Ser Um Bolseiro

Apesar das dificuldades e imprevistos, Bilbo, e seu sobrinho, Frodo, realizaram feitos jamais esperados de seres pequenos, rurais e indefesos como eles. E tudo isso porque disseram “sim” ao inesperado.


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Desde cedo aprendemos que, assim como todo ser vivo, devemos: nascer, crescer, nos reproduzir, e morrer. Claro que no meio disso passar noites em claro estudando para o vestibular, ter um chefe que não vai dar valor pro nosso trabalho, mas no final das contas, precisamos do salário para nos sustentar. No universo dos hobbits, talvez a vida não fosse assim tão injusta, não para eles, que viviam no campo, sem grandes ambições além de manter a mesma rotina de sempre. Se Bilbo pensava diferente? Não. Afinal, era um Bolseiro, nunca “fazem nada inesperado: você pode dizer o que um Bolseiro diria sobre qualquer assunto sem se dar o trabalho de perguntar a ele”. Nos primórdios de sua vida, Bilbo tinha um quê de curioso e aventureiro, coisas da infância, pois cresceu e se tornou como os outros hobbits.

Até que um dia, um mago cinzento, antigo amigo, apareceu em seu jardim. A chegada de Gandalf representa o encontro de Bilbo com um lado nele que há muito ele havia esquecido, ou nunca tivera conhecido, de fato.

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A idéia de ser um ladrão que ajudaria uma companhia de anões a recuperar um tesouro de seus ancestrais, chegava a ser indecente para Bilbo. Como ele poderia ajudar em tal coisa? Deixar sua casa, seus livros, seus costumes e sair para uma verdadeira jornada? O discurso de tudo o que passaria fez o pobre hobbit desmaiar, literalmente.

Mas tudo mudou na manhã seguinte, e nem Bilbo poderia dizer o que o fez mudar. Mas ele resolveu se abrir para algo que nunca havia imaginado antes e quando se deu conta, estava indo ao encontro dos anões. A jornada do hobbit, não foi fácil como havia imaginado. Ele não possuía a confiança de Thorin, não acreditavam que ele poderia ser útil, exceto Gandalf. E no final das contas, além de surpreender os anões, ele surpreendeu a si mesmo, como Gandalf disse que faria. É importante provar o nosso valor aos outros, mas é ainda mais importante provarmos pra nós mesmos que somos capazes...nos surpreender com o nosso potencial.

Quando Tolkien escreveu a história de Bilbo, e depois, a de seu sobrinho, Frodo, ele queria provar que até mesmo a menor criatura poderia fazer a diferença. Ele se voltou contra a vida que todos em sua volta viviam, se aventurou no incerto e como Gandalf profetizou: Se você voltar, não será mais o mesmo.

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Quantas vezes não perdemos grandes oportunidades por não nos acharmos capazes ou por todo o esforço que teremos que fazer, nos acomodamos, ou achamos que não vamos nos encaixar em outro lugar além do que estamos agora. Bilbo mostrou o quanto podemos fazer coisas extraordinárias se tivermos um pouco de fé e coragem de sair da inércia.

E o que Frodo tem a ensinar?

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Frodo também seguiu os passos do tio. Apesar de sua história ter começado de uma forma mais obscura que a de Bilbo, ter crescido com ele, lhe fez absorver a forma solicita e destemida, que Bilbo adquiriu após sua jornada. O sacrifício de Frodo foi enorme e mesmo com apoio de amigos, por muitas vezes, ele duvidou de si mesmo. E como não duvidar? Sendo um hobbit numa luta de orcs, homens e elfos. Como não fraquejar sendo um humano num mundo de competitivo, injusto e cruel? A resposta é buscar em nós a força dos hobbits. Diferente de Bilbo, que teve que lidar com a velhice que o atingiu rapidamente após se livrar do anel, Frodo carregou uma cicatriz que nunca se curou, resultado de um golpe de lâmina Môrgul, que o atormentou até o final da vida. Se ela fez Frodo se arrepender de tudo? Nunca. Cada vez que ela doía, ele se lembrava de sua jornada e como tudo terminou. Seu dever estava cumprido. O medo de feridas não pode nunca nos desanimar, pois a vitória sempre será proporcional ao sacrifício.

Os Bolseiros nos ensinam muitas lições: o quanto devemos acreditar em nosso potencial, como podemos fazer a diferença e que oportunidades são chances de nos reinventarmos. E por mais que tenha tropeços, eles fizeram parte do seu caminho rumo à vitória. Todos deveríamos ser, pelo menos um pouco, Bolseiros.

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Juliana Fiúza

Sou guia de turismo, tenho 21 anos e moro no Rio de Janeiro. Faço parte de dois projetos: RJ Free Walking Tour e Vou Pra Onde?. Fui estagiária no Palácio Guanabara e ganhadora do Talentos Sesc Senac 2016. Tenho um podcast sobre história e cultura do RJ, sou da Corvinal, apaixonada por livros, Tom Jobim é meu artista favorito e torço para o Borussia Dortmund. .
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