serendipismo

As melhores descobertas são feitas ao acaso.

Juliana Fiúza

Sou guia de turismo, tenho 21 anos e moro no Rio de Janeiro. Faço parte de dois projetos: RJ Free Walking Tour e Vou Pra Onde?. Fui estagiária no Palácio Guanabara e ganhadora do Talentos Sesc Senac 2016.
Tenho um podcast sobre história e cultura do RJ, sou da Corvinal, apaixonada por livros, Tom Jobim é meu artista favorito e torço para o Borussia Dortmund.

Frank Sinatra: Três Grandes Lições de Vida

Considerado ícone da cultura americana, Frank Sinatra atravessou gerações e sobreviveu a várias revoluções na música, desde o rock n' roll à era hippie; mas ele foi além disso. Como ninguém, viveu a vida à sua maneira, deixando além de um legado cultural incomparável, três grandes lições de vida.


Frank-Sinatra.jpg Fonte: GettyImages

1- Tudo Ou Nada

Com Frankie, sempre foi assim. Desde suas relações pessoais à sua carreira. Logo após abandonar uma turnê com The Hoboken Four, quarteto fundado em um concurso de rádio, Frank foi expulso de casa pelo seu pai e se mudou para Nova York. Sempre trabalhando duro e não pensando duas vezes em abandonar amizades por seu sucesso, era tudo ou nada. Quando sua esposa, Mia Farrow, não pode conciliar as gravações do filme, O Bebê de Rosemary, com as gravações de um filme/projeto de Frank; não houve muito o que se fazer, a atriz recebeu os papéis do divórcio ainda no set de filmagens. Por mais que seja visto como egoísmo, Sinatra, com a mesma linha de pensamento, ajudou a combater o preconceito com os negros e descendentes de outras etnias nos Estados Unidos, inicialmente através do curta, The House I Live In, de 1945. Fiel à herança musical que ele recebeu da cultura negra, principalmente por crescer em Hoboken, ele nunca deixou de lutar pela igualdade racial.

House3.jpg Frank Sinatra, The House I Live In

2- É Preciso Abrir Mão

Quando o rock n' roll começou a dominar as paradas musicais, Frankie desdenhava o estilo musical. Um de seus arranjadores conta que ao mostrar a partitura de Yesterday, dos Beatles, o interprete a jogou no chão dizendo que nunca a gravaria. Após ser bem sucedido em vendas, além de ter retornado ao auge após ganhar um Oscar de ator coadjuvante por A Um Passo da Eternidade, resolveu montar sua própria gravadora. Porém, o estilo musical se tornou cada vez mais popular e com a chegada de Elvis, tudo mudou. Com baixa venda nos discos lançados por sua gravadora, ele foi avisado por seu sócio que deveriam contratar cantores de rock ou não seriam competitivos no mercado. Frank, apesar de nunca ter gostado de rock, aceitou. Em 1960, com as atenções voltadas à Elvis, ele dedicou um episódio de seu programa, The Frank Sinatra Timex Show, para celebrar a volta de Elvis de seu serviço militar na Alemanha, chamado Welcome Home Elvis. Os dois grandes ícones de diferentes gerações, lado a lado, cantaram Love Me Tender & Witchcraft.

frank-timex-special.jpg Fonte: ElvisFiles.no

3- Não Ter Medo de Recomeçar

Sinatra era uma verdadeira fênix. Após ser expulso de casa pelo seu pai, ele se mudou pra Nova York e trabalhou duro até se consagrar na música. Porém, ele sempre se envolveu em "escândalos" quando se tratava de mulheres. Seu caso com Ava Gardner enquanto ainda era casado gerou repulsa da mídia na época, e seu possível envolvimento com a máfia era muito explorado nos jornais, assim, sua imagem caiu no desgasto. Anos se passaram até seu retorno triunfal: ganhar o Oscar por A Um Passo da Eternidade.A carreira de Frank foi feita de altos e baixos, mas ele nunca teve medo de recomeçar, muito menos de saber a hora de parar. Nos anos 70 ele se sentia exausto, aparte da cultura juvenil atual, ele decidiu se aposentar e em seu show de aposentadoria, em 1971, escolheu um repertório de 11 músicas que contavam a história de sua vida. The Voice encerrava seu legado; ou era o que muitos pensavam, pois sua aposentadoria não durou muito. Retornando triunfalmente em 1973 com New York, New York, uma de suas mais famosas canções, ele relembrou ao seu país e ao mundo o ícone que ele era para muitas gerações. Com seus shows em Las Vegas como estopim, ele realizou uma turnê internacional, que passou pelo Brasil em 1980 e 1981, até pouco antes de sua morte, em 1998.

Frank-Sinatra-Maracana-Brasil-show-a-voz-do-seculo.jpg Frank Sinatra no Maracanã, 1980. Fonte: Agência O Globo

No documentário, Sinatra: All Or Nothing At All, lançado em 2015, centenário de Frank Sinatra, o show de aposentadoria composto pelo repertório de onze musicas é entrelaçado com sua vida, que foi singular como sua voz. Sem dúvida, Frank Sinatra viveu a vida de sua maneira.


Juliana Fiúza

Sou guia de turismo, tenho 21 anos e moro no Rio de Janeiro. Faço parte de dois projetos: RJ Free Walking Tour e Vou Pra Onde?. Fui estagiária no Palácio Guanabara e ganhadora do Talentos Sesc Senac 2016. Tenho um podcast sobre história e cultura do RJ, sou da Corvinal, apaixonada por livros, Tom Jobim é meu artista favorito e torço para o Borussia Dortmund. .
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