serendipismo

As melhores descobertas são feitas ao acaso.

Juliana Fiúza

22 anos, carioca, guia de turismo regional, ganhadora do Talentos Sesc Senac 2016, estudante de Design Gráfico, autora e fotógrafa amadora, adepta profissional do flaneur; apaixonada por livros.

Tom Jobim e a Poesia

O maestro soberano, Tom Jobim, é famoso por suas composições e por levar a música brasileira ao mundo, mas o que passa despercebido, muitas vezes, são as poesias que ele musicou ao longo da vida. Ao iniciar profissionalmente na música, Tom trabalhou com o poeta Vinicius de Moraes, um dos maiores da poesia brasileira, mas não foi só com o poetinha que Tom aliou poesia e música. Leia o artigo e descubra os outros poetas que se eternizaram nas composições do maestro soberano.


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O maestro soberano, Tom Jobim, é famoso por suas composições e por levar a música brasileira ao mundo, mas o que passa despercebido, muitas vezes, são as poesias que ele musicou ao longo da vida.

Filho do literata, Jorge Jobim, desde pequeno Tom teve contato com a literatura, pela qual criou um grande amor. Lia muito desde pequeno, sua avó Mimi e seu avô Azor, assim como sua mãe, Nilza, sempre fizeram com que o contato cultural de Tom e Helena, sua irmã, fosse grande. Era recorrente os saraus na casa da família, os tios de Tom, Marcelo e João, tocavam violão, a mãe cantava, a avó e as crianças recitavam poesias...e assim cresceu Tom Jobim.

Ao iniciar profissionalmente na música, Tom trabalhou com o poeta Vinicius de Moraes, um dos maiores da poesia brasileira, mas não foi só com o poetinha que Tom aliou poesia e música.

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Em Soneto de Separação, temos a bela leitura de Vinicius de sua própria composição, enquanto Tom, posteriormente segue no tema com sua voz e melodia econômica das notas de seu piano. No poema onde a antítese dos versos revela a mudança repentina e bruta de uma relação amorosa. Escrito na ocasião em que Vinicius teve que se mudar para a Inglaterra, em 1938, terminando um namoro. O poema foi escrito durante a viagem de navio do poetinha.

manuel-bandeira-chico-buarque-tom-jobim-e-vinicius1.jpg Na foto: Manuel Bandeira, Chico Buarque, Tom Jobim e Vinicius de Moraes

No último disco de Tom Jobim, Antonio Brasileiro, que rendeu ao maestro um Grammy póstumo, há o poema Trem de Ferro, de Manuel Bandeira, publicado em Estrela da Manhã, interpretado num diálogo com Trenzinho Caipira de Villa-Lobos. A Estrela da Manhã foi um livro publicado por Manuel aos seus cinquenta anos de idade, tendo uma tiragem de quarenta e sete unidades, que foram previamente encomendadas.

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Em A Música em Pessoa, LP lançado em 1985, trazia inúmeros cantores e compositores brasileiros interpretando poemas de Fernando Pessoa. Apesar de seu poeta favorito ser Carlos Drummond de Andrade, à quem não poupou elogios durante a vida, o poeta que mais passeou pelas canções de Tom foi Fernando Pessoa e o heterônimo e mestre, Alberto Caeiro. Uma prova disso são é que três, das quinze faixas do álbum, são da responsabilidade do Tom. O álbum se inicia com O Rio da Minha Aldeia, poema de Alberto Caeiro, o mestre de Fernando Pessoa, e é um fragmento de O Guardador de Rebanhos. O poeta por si só se manifesta em Cavaleiro Monge (Do Vale á Montanha), de 1932, e Autopsicografia, a última faixa do álbum, publicada também, em 1932.

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Em Ensaio poético, Tom e Ana Jobim, publicado em 1987, há uma reunião das fotografias de Ana com poemas e letras escritas por Tom. As fotos revelam a intimidade do maestro e como ela se alia a suas composições. Ao entrar em contato com a vida de Tom através de biografias e documentários, se torna mais explicito o seu trabalho escrito, muitas vezes ofuscado pela perfeita harmonia da suas músicas. No documentário A Casa do Tom - Mundo, Monde, Mondo, idealizado por Ana Jobim, o protagonista da obra é o poema Chapadão, de Tom Jobim, que vai sendo recitado ao longo do documentário com intercalações de filmes caseiros, falas e fotos. Revelando a magnitude da genialidade de Jobim.

Tom foi um artista completo. É o maestro soberano.


Juliana Fiúza

22 anos, carioca, guia de turismo regional, ganhadora do Talentos Sesc Senac 2016, estudante de Design Gráfico, autora e fotógrafa amadora, adepta profissional do flaneur; apaixonada por livros. .
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