sete tons mais tudo que há no meio

Não há nada no universo que não possa ser contido numa frase harmônica

Mario Feitosa

Não sei de nada, mas, sabendo disso, vem a sede de querer saber tudo, e nessa sede construo essas barbaridades, que acostumei a chamar de opinião.
Me mostra que estou errado?

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A gente se sabota

Ah, uma coisa na vida de solteiro convicto é certa, e duvido que alguém desminta: a gente se sabota p’ra caralho!


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Depois dos primeiros meses de uma solteirice escolhida, escrevi esse artigo aqui. Nele, com muito prazer, falava das graças de estar a sós consigo e da beleza de fazer as coisas por si, numa, talvez, espera de alguém que pintasse e zaz…

Vou contar, a porra viralizou e tive o prazer de debater a questão com inúmeras presenças maravilhosas. No meio disso, uma me chamou a atenção: uma mulher, danem-se idade e detalhes, que dizia preferir estar sozinha e nunca se envolver. Na época, me foi um choque… Ué?! Como poderíamos, ainda que solteiros, evitar as interações humanas deliberadamente?!

Não é que entendi?

No percurso dos meses, comecei a perceber o quanto me blindava de experiências de relacionamento e aprendia a me viver, sem buscar (aliás, rechaçando veementemente) investidas alheias…

Era um quê de achar defeitos e motivos que impedissem uma relação. Um quê de “não vai funcionar”.

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“Ah, Mário, mas e a carência?!” – você pode me perguntar. E, sim, é um medão que faz jus ao peso da pergunta. A carência é produto do costume de ter alguém. Quando se acostuma a ser-se esse alguém, não tem carência senão sexual, e essa qualquer pessoa resolve ;).

Fato é: entendi ser produto de amor próprio. Amor próprio é uma brisa do pântano! Juro! A gente aprende, de pequeno, que amar é sofrer, doar e sacrificar. O amor próprio, nessa teia, passa a parecer egoísmo e insociabilidade.

Mas eu posso jurar de pés juntos, sem fazer figa: ensinaram errado!

Amor próprio, longe de endeusar-se, é tornar-se, a si, o fator mais importante da própria vida. É buscar estar (não acredito no ser, para essa realidade) feliz consigo, fazendo o que se gosta, sendo quem se quer, sem lacre, sem poda, sem sacrifício. Sacrifício, meus caros, é lindo em livro de Shakespeare. Na vida é um saco!

Entendo, hoje, que o maior produto do amor próprio é a valorização do próprio tempo. Podia, sim, estar “conhecendo” uma nova parceira, podando meus comportamentos para me adequar aos quereres e construções mentais do que ela pensa ser um bom parceiro. Podia. Mas eu podia estar na Índia, também, e cá estou, em São Paulo rs. Poder não é, necessariamente, dever.

Eu não quero (de jeito nenhum), com isso, diminuir quem tenta. Só quero apontar que, dado momento, algumas pessoas não veem mais sentido em tentar. É justo e perfeitamente adequado.

E aí ficamos nós, nos sabotando, caçando pêlos (está substantivado e, juro, me nego a não acentuar, e foda-se a regra nova uhahuauhahuha) em ovo (acredite, existem), chifres em cabeças de cavalos e defeitos no que parece perfeito. O senso comum manda não pensar, mas sentir relacionamentos. No entanto, já reparou quanta música de dor de cotovelo o senso comum oferece?!

A gente se sabota. Ah, como a gente se sabota… uhahuahuahua Mas posso afirmar com certeza: nos sabotamos porque nosso amor próprio prefere a solteirice e a delícia da solidão às meias companhias, que gastam energia e saco (e saco é recurso esgotável).

A gente se sabota porque aprendeu a amar.

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E, quer saber? A frase que cabe melhor aqui, p’ra encerrar é: estamos solteiros sim, e convictos, e alguém vai precisar ser MUITO FODA p’ra mudar isso.

Depois que se aprende a amar, num relacionamento si-consigo, não é qualquer sorrisinho maroto e meia dúzia de regras que vai entrar na nossa vida ;).


Mario Feitosa

Não sei de nada, mas, sabendo disso, vem a sede de querer saber tudo, e nessa sede construo essas barbaridades, que acostumei a chamar de opinião. Me mostra que estou errado? Veja mais em http://covildadiscordia.com.br.
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