Jefe Vargas

Homem de teatro como essência e o resto... conseqüências das experiências.

Considerações sobre o feminismo: abordagem e sensibilidade


Quando uma abordagem se torna uma ofensa?


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Existem discursos descarados que são atribuídos aos machistas, mas vai muito além, é caso de psicopatas. Frases do tipo “ela pediu para ser estuprada porque estava com uma roupa provocativa” são absurdos sem precedentes. Um homem que vê uma mulher e a ataca porque não consegue conter seu desejo é um doente covarde. Não tem nem discussão, é inadmissível. Mas isso, obviamente, não se resume apenas a mulher, o mundo está cheio de idiotas que agridem verbalmente (e até fisicamente) homossexuais, travestis, agridem por preconceitos raciais, classes sociais; enfim, idiotas intolerantes têm em todos os cantos, quem não se lembra do caso que colocaram fogo em um índio porque achavam que era um mendigo?

Mas seguindo na questão da mulher que veste uma roupa provocativa e desperta desejos.

Roupas a princípio não são provocativas, o que as torna é o olhar. Pra uns, uma saia curta pode ser totalmente provocativa, e, para outros, não passa de uma roupa vulgar que não desperta nenhum desejo. O fetiche é sempre do olhar e da imaginação. O que esconde estimula a mente a perverter. Um fetiche que tenho - na cidade onde moro existem várias mulheres que seguem a tradição de sair publicamente com “véu” (o hijab). Dizem que o cabelo é uma fonte de sensualidade, por isso tem que ser coberto para não despertar desejo. Eu concordo que o cabelo é uma fonte de sensualidade, e quando as vejo com os véus, acho extremamente atraente, porque além de aflorar a imaginação, os olhos ganham destaques, e, também, não é qualquer lenço, são lenços maravilhosos. Na minha opinião, é extremamente sensual cobrir os cabelos com um tecido refinado: um fetiche.

E estamos falando de aspecto visual apenas. Mas a sedução e a construção do fetiche estão muito além. O desejo pode surgir do plano intelectual, por exemplo. Uma pessoa que até não tinha nos despertado nada, ao conversamos, pode se tornar atraente e provocativa. Isso é fato e comum de acontecer. A questão aqui não é o desejo que sentimos, desejos todos sentem (ambos os sexos e por motivos diversos), mas o peso está no aspecto da abordagem. Acredito que devemos ser muito sensíveis para demonstrar interesse por outra pessoa, ou para demonstrar que sentimos desejos. Pois, já adquirimos um grau de civilidade e não agimos totalmente impulsivamente (ou não deveríamos agir assim). Só que não existem regras como demonstrar apreços, por isso, evoco a sensibilidade.

Eu sou completamente contrário a abordagens vulgares, mas a abordagem vulgar, a meu ver, não é o problema, a abordagem vulgar não é uma questão machista, o problema é a generalização. Se um homem aborda vulgarmente uma mulher e ela gosta, tem mulheres que podem gostar (e gostam) de abordagens vulgares, existe um fetiche da vulgaridade. São bilhões de pessoas, bilhões de gostos, um homem pode gritar para uma mulher “Aí gostosa, vou te...” e ela gostar. Por que não? O problema é esse cara achar que tem o direito de falar isso para toda mulher, porque a mulher está vestida de uma forma específica; ou, o que é pior, com o princípio de que “mulher gosta disso”. Não. Algumas mulheres podem gostar, mas dizer que toda mulher gosta disso é equivocado. Tem mulher que vai olhar pro cara e dizer “o que você está fazendo? Não te dou esse direito”. Óbvio, que também tem a que não gosta, mas por constrangimento ou medo permanece calada. Porém, esse cara que grita ou fala coisas vulgares para uma mulher tem que estar ciente que pode ser denunciado por gerar constrangimento público, por ser ofensivo e inconveniente. E o bom é que se denuncie sempre que se sentir ofendida. Ele pode alegar que não teve intenção, que só queria elogiar. E o pior é que pode estar sendo sincero, que em seu mundo tosco achar que estava agradando. Acontece de existir pessoas ingênuas e insensíveis, mas fazer o quê? Se paga um preço pela insensibilidade. Para abordar alguém e demonstrar nosso apreço temos que desenvolver sensibilidades, porque senão agimos por automatismo e generalizações, e aí é que emerge o machismo.

Por exemplo, qualquer frase que comece com “mulher gosta de...”. Seja o que for: mulher gosta de apanhar ou ganhar flores, frases machistas porque generalizam. Mesma coisa, “Homem é tudo igual”: frase machista.

Frases clássicas “mulher gosta de segurança” ou “mulher gosta de dinheiro”. Sim, todos gostam, não é privilégio das mulheres, mas isso não quer dizer que todas as mulheres procurem isso no relacionamento. Algumas sim, outras não. Eu tenho encontrado muitas mulheres independentes financeiramente e seguras de si. Como muitos homens que se relacionam com mulheres por interesses financeiros ou a procura de uma mãe que lhe dê a sensação de segurança. Nesse mundo em que reproduzimos demasiados padrões arcaicos, em que agimos contaminados por automatismos, existem muitas pessoas que procuram questionar e agir de forma mais sensível, tentando não agredir o outro (seja homem ou mulher), vá de cada um escolher a quem dar atenção.


Jefe Vargas

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