simplesmente

Realidade que se sente

Isabella Marques

A leveza em escrever pelo simples ato de debruçar-me sobre um teclado com o coração aberto

O [real] sentido da moda

Além do que vitrines de lojas exibem, além de ícones de estilo, passarelas e grandes estilistas: a moda vive em nós e nós vivemos nela.


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Moda está na arte, no cinema, na literatura, na economia, na história. Mas, quando pensamos sobre ela, o que vem a cabeça de muitos se restringe estereótipos: passarelas, tapetes vermelhos, blogueiras e vídeos no YouTube sobre tendências para a estação. É muitas vezes tida como sinônimo de futilidade, passageira, elitista e até mesmo inútil.

Mas moda é todo um universo maior que regras do que vestir ou não. É uma revolução constante, um espelho da história: Maria Antonieta chocou por posar em um retrato em seu palácio usando uma chemise de cintura alta, Coco Chanel inspirou-se em trajes masculinos para criar roupas que não precisassem de espartilho e assim deu liberdade à mulher, Beverly Johnson foi a primeira modelo negra na capa da Vogue.

A moda inspira a arte, e a recíproca é verdadeira: Art Noveau inspirou estilisticamente o vestuário da época; Houve moda surrealista, com Dalí inclusive desenhando tecidos para a estilista Elsa Achiaparelli; A forma e construção do cubismo estiveram presentes em estampas e ilustrações de roupas. Os exemplos são incontáveis, principalmente se envolvêssemos filmes e livros, nos quais figurinos fazem parte de sua essência; essência essa não somente das personagens, mas das obras como um todo.

Porém, tentar definir moda como arte, presente em grandes obras, em grandes momentos, ou em grandes pessoas, ainda soa limitador. Como usar conceitos objetivos para tratar de algo que transcende gerações com profundidade histórica, tão subjetiva e mutável?

Quando olhada sob diferentes perspectivas, eis seu real sentido: o que quer que façamos dela. O que Chanel, Yves Saint Laurent e Dior fizeram. O que você, que gosta de determinado estilo de sapato, seja qual ele for, faz.

Se moda faz parte da essência de filmes e livros, não há como desassocia-la da nossa própria. Como dito no início, moda não é inútil, mas tão pouco se restringe a um mundo distante do dia a dia de cada um de nós. O que vestimos reflete nossa personalidade, e quiçá nossas ideologias, valores, crenças. Estar ou não de acordo com as tendências, já diz muito por si só. Moda é sim a estampa animal print, marinheira ou étnica que revistas clamam como tendências por aí, mas é também o que cada um de nós veste, porque é com aquilo com que se identifica.

Moda inspira. Ela é criada e a partir dela se cria. É universal, mas não no sentido de ser igual pra todos: seu conceito e forma como se materializa é maravilhosamente diverso. Mas onde há cultura, há moda; e onde há moda, há expressão.


Isabella Marques

A leveza em escrever pelo simples ato de debruçar-me sobre um teclado com o coração aberto .
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