sintonia

A frequência quem define é você.

Luiz Alberto Portes

Um espírito aprendiz que aprecia o infinito, mas se perde em uma tigela de brigadeiro.

A luz que cada janela há de ter

De uma sacada ampla com blindex ao quadrilátero simples para passagem do ar e sol, sonhos e o desejo comum de um passo à frente.


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Observo da janela do meu trabalho a quantidade de edifícios imponentes pelas suas formas e tamanhos, circundando toda uma área e também algumas casas com linhas modernas - ao menos penso serem modernas. Um traço reto aqui e outro ali ao meu ver já denota minimalidade e sei lá de onde tirei isso, modernidade. Dou risada da minha ignorância artística e técnica. Mas grato por ter sensações.

Área considerada nobre da cidade. Região de janelas amplas com sacadas pouco visitadas. Aproximadamente a cada cem metros equipamentos combinando luzes e sons chamam a atenção dos pedestres. É preciso cuidado com as saídas dos carros e seus vidros fechados, geralmente com a segurança frágil do insulfim. Na verdade não sei se essa lâmina escura é para proteger-se do exterior superestimado ou do interior subestimado por almas que insistem em não querer voar. Que pena. O mundo precisa de mais brilho nos olhos.

Chegado então o final de mais um dia de trabalho. É hora do retorno para casa e no caminho as janelas vão ganhando uma coloração típica aos olhos de quem as observa de longe. Algo como constelações urbanas no meio de sons que parecem saber desenhar cada quadro mentalizado. A tal música urbana.

O som é um elemento importante na medida que mais progresso se obtêm na arte de visualizar.

Continuando o trajeto e a verticalização vai cedendo cada vez mais, possibilitando avistar outras moradas e suas janelas diferentes, mas nem tanto.

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Chego em casa e acendo a luz.

O silêncio presente no momento inicial quando entrei em meu círculo de repouso permitiu reconhecer um outro som. O das batidas do meu coração.

Não foi só mais um dia. Foi mais uma aula. Mais uma amorosa conversa do universo comigo.

Lembrei de cada janela. Tão diferentes e tão iguais. Conhecidas e desconhecidas por todo o globo. Cada qual com sua íntima história. Me alegrei ao vislumbrar a luz que cada janela há de ter.

Paz.


Luiz Alberto Portes

Um espírito aprendiz que aprecia o infinito, mas se perde em uma tigela de brigadeiro..
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