sintonia

A frequência quem define é você.

Luiz Alberto Portes

Um espírito aprendiz que aprecia o infinito, mas se perde em uma tigela de brigadeiro.

Giz e um coração

A inevitável liberdade incomoda apenas aos pobres de espírito ainda presos dentro de seus antigos conceitos.


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Quando amarras do passado vão sendo desfeitas no íntimo de cada um de nós, o horizonte vai tomando um contorno mais possível aos nossos sonhos de um mundo melhor. Faz aflorar uma capacidade já existente em nosso ser que é a de caminhar para um futuro mais agregador mas não menos combativo.

Engana-se quem acredita que apenas com flores verá a espinha dorsal do atraso quebrada e definitivamente vencida.

Na minha dificuldade em saber quando é que se colocava n ou m antes de p ou b foi que começou silenciosamente a estruturar-se para mim o que é este desafio de ensinar aos outros. O desafio de educar um semelhante.

No caso, um pequeno e privilegiado aluno em uma boa escola particular da capital. Recordo-me bem que perdi o sono atormentado pela dita regra, talvez já sinalizando minha pouca simpatia pelas mesmas.

Com carinho imenso recordo-me da professora Tâmara conversando com minha mãe e rindo da preocupação existente. Desde então uma dose de carinho e rapidinho estava identificado com a regra, pronto a seguir minha vida de pré-alfabetizado.

Amor é algo além do que nos faz aquietar. Em alguns casos, pelo contrário, ele movimenta. Cutuca. E é por isso que nunca mais me saiu da mente este singelo momento. Ficou em minha consciência.

A capacidade de pegar pelas mãos e empreender junto os primeiros contornos no mundo é tarefa para graduados em planos muitos superiores aos que temos em nossa precária sociedade.

Pais e professores. Cada qual com suas responsabilidades. Nem mais. Nem menos.

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Já passaram-se muitos anos. Não mais tenho a dificuldade na específica regra. Tenho agora outras tantas e confesso que sinto-me mais criança que na época.

Mesmo assim em universidade alcancei diploma. Bons espíritos se dispuseram a dividir um pouco comigo daquilo que conheciam.

Digo conheciam porque hoje conhecem mais. Essa fórmula rica que multiplica os espaços quanto mais entra conteúdo é imperativo de uma sociedade mais humana e livre.

Educadores têm isso. Construtores têm isso.

Com um giz e coração constroem novos caminhos, mas só até a tropa de choque chegar. E com esta cena lá na consciência a perguntar de que lado vamos nos posicionar.

Paz.


Luiz Alberto Portes

Um espírito aprendiz que aprecia o infinito, mas se perde em uma tigela de brigadeiro..
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