Joanna Cataldo

Alérgica a machismo, pó e sentimentalismo barato. Costuma ser vista lendo no metrô ou tomando picolé de uva na esquina.

Sobre ser mulher e lutar pelo que acredita

"Mimada", "pirralha"...Por que as mulheres são sempre vítimas de ofensas quando partem para a luta?


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Muita gente implica com atrizes que reclamam da desigualdade de salários no cinema. “Já é rica, por que fica aí reclamando?”, “que menina mimada, vai arranjar alguma coisa para fazer”. Poderíamos ficar horas listando casos de atores que ganharam mais por desempenharem papéis de mesmo peso que suas colegas de cena. Porém, vamos focar apenas no que há por trás desses comentários.

Como Jennifer Lawrence bem disse em um texto escrito para a newsletter Lenny, uma mulher que reivindica seus direitos é imediatamente chamada de “mimada”, “pirralha”. E por que isso acontece? Antes de mais nada, vamos voltar alguns anos na história. Se pegarmos uma típica família do século XIX, veremos que o orgulho maior de uma mãe daquela época era ter uma filha que preenchesse os requisitos - beleza, simpatia e dedicação para com o lar. Para se adequar ao padrão, cada movimento era previamente calculado, de modo a atender a ditadura do comportamento. Em outras palavras, tudo o que importava era a imagem que a garota passaria para a sociedade.

Esse tipo de mentalidade, no entanto, está longe de ser coisa do passado. Para o mercado de trabalho, Jennifer Lawrence não pode ousar ir além do que se espera do seu sexo. Ao homem é destinado o papel do guerreiro, reivindicador. A mulher, de acordo com essa lógica, deve ser reservada, apaziguadora. Quando uma atriz vai contra esses rótulos, ela está desafiando um sistema milenar - e isso assusta os conservadores, que se valem de ofensas para tentar desmoralizar a atitude das mulheres.

O fato de lutar por salários mais justos não faz de Jennifer uma “pirralha mimada”, mas sim uma guerreira – por lutar pelo que acredita e por ter coragem para batalhar em um mundo que parece ainda viver no século XIX.


Joanna Cataldo

Alérgica a machismo, pó e sentimentalismo barato. Costuma ser vista lendo no metrô ou tomando picolé de uva na esquina..
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