sobre as coisas mundanas

Um olhar desapegado sobre o mundo e os mundanos

Pedro Magyar

"Não apenas estamos no mesmo barco, como todos sentimos enjoo". - Chesterton

Para 2016 e o resto da vida

Por que desejar coisas no dia 31 se nós precisamos dessas "coisas" todos os dias de nossa vida? A demarcação do tempo é limitador da mudança, e sem ela, talvez fossemos um pouco melhor!


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Estou indo neste ano. Só nos veremos ano que vem, quando 2015 já estiver velho e 2016 recém nascido. A praxe exige votos de próspero ano novo, porém, não o faço porque a praxe é igual, prefiro coisas diferentes.

Diferente é desejar muita harmonia em sua vida, a qual nos estabelece como humanos, nos traz a calma e mansidão necessárias para conseguirmos viver cada dia diferente. É rogar os votos de muita paz de espírito para o enfrentamento diário das lições que a vida nos impõe, trazendo aquele crescimento ímpar, afinal é assim que juntamos nossas cultura e experiência em nossa mala e continuamos a trilha.

Desejo muita luz para que a sabedoria lhe domine a fim de traçar os mais brilhantes planos para sua vida e seus desejos mais remotos, afinal, a beleza da vida é possuir sonhos os quais nos movem diuturnamente. Desejo que sejais utópico o suficiente, afinal, a utopia é o nosso combustível, você nunca a alcançara mas é ela que fará você não parar de caminhar. Invoco que possamos conviver harmoniosamente para os nossos próprios fins, crescendo juntos nessa jornada diária que travamos, e transpassamos. Almejo muita saúde para que possamos colocar tudo isso em prática.

Sobre o próspero ano novo, desejo isso, independente da data, e desejo isso para todos nós, pelo resto de nossos tempos. Todos os dias desejo o melhor!

A divisão temporal é o ranço que temos para querer (re)começar algo, inovar, sendo que podemos o fazer sempre, independente de datas ou festas. Não apenas no dia 31 queremos ser bons ou cordiais, desejar o melhor ao mundo, ser caridosos. A vida pode ser pautada nas atitudes que temos nas passagens do calendário, simples marcador de um tempo o qual nos divide, limita e prende.

Devemos (re)começar todos os dias, desejar todos os dias, praticar e mudar sempre, para que construamos algo profícuo para o que vem por ai, na tentativa alijada de romper com as mazelas cotidianas. Não é uma data específica que nos fará olhar para dentro e descobrir todas as nossas inconsistências. O espelho está pendurado todos os dias, e não só o olhamos no último dia. Talvez um exercício menos dificultoso seja aquele em que você ache que todos os dias são 31, para que faça suas mudanças e reflexões diariamente.

Lembremo-nos de Eleanor Roosevelt quando disse que ninguém pode lhe magoar, fazer se sentir inferior ou lhe ofender sem seu consentimento. Depende apenas de nós a intensidade que será aplicada a nós mesmos. Nós consentimos com o positivo e negativo em nossa jornada, o que gerará reflexo nos que circundam a tudo.

Não sejamos mundanos o suficiente para achar que a promessa de ano novo é o que vale. Que o impulso que era necessário se dá quando os fogos estouram e o relógio badala a virada. Sejamos mundanos do mundo, diariamente, sem qualquer contador de segundos para nos prender. Rasguemos os calendários e vivamos intensamente o dia a dia! Isso sim é desejar tudo de bom!

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O Hindu chegou aos arredores de certa aldeia e aí sentou-se para dormir debaixo de uma árvore. Chega correndo, então, um habitante daquela aldeia e diz, quase sem fôlego:

- Aquela pedra! Eu quero aquela pedra.

- Mas que pedra? - pergunta-lhe o Hindu.

- Ontem à noite, eu vi meu Senhor Shiva e, num sonho, ele disse que eu viesse aos arredores da cidade, ao pôr-do-sol; aí devia estar o Hindu que me daria uma pedra muito grande e preciosa que me faria rico para sempre.

Então, o Hindu mexeu na sua trouxa e tirou a pedra e foi dizendo:

- Provavelmente é desta que ele lhe falou; encontrei-a numa trilha da floresta, alguns dias atrás; podes levá-la!

E assim falando, ofereceu-lhe a pedra. O homem olhou maravilhado para a pedra. Era um diamante e, talvez, o maior jamais visto no mundo. Pegou, pois, o diamante e foi-se embora. Mas, quando veio a noite, ele virava de um lado para o outro em sua cama sem conseguir dormir. Então, rompendo o dia, foi ver novamente o Hindu e o despertou dizendo:

- Eu quero que me dê essa riqueza que lhe tornou possível desfazer-se de um diamante tão grande assim tão facilmente!


Pedro Magyar

"Não apenas estamos no mesmo barco, como todos sentimos enjoo". - Chesterton .
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