sobre as coisas mundanas

Um olhar desapegado sobre o mundo e os mundanos

Pedro Magyar

"Não apenas estamos no mesmo barco, como todos sentimos enjoo". - Chesterton

FILHA, NESTE DIA...

...gostaria de poder expressar como viver, mas não há uma regra ou solução mágica que poderia lhe ceder. Apenas conselhos que seu pai poderia lhe passar, não de quem sabe tudo sobre o mundo, mas também não é alguém que nada sabe, estou a trabalhar para poder amealhar mais experiência. Bem, aqui está um pouco do que quero compartilhar:


Não sei se poderei repassar o que sei ou o que gostaria que soubesse, afinal não sei tudo, mas posso perseverar em que veja todas as disposições das coisas neste mundo, uma vez que se faz necessário olhar cada ângulo para podermos entender o outro, como deve ser entendido. Por isso não se afugente do que é mostrado por ai, como algo verdadeiro e constante, uma vez que a maior virtude de nós, seres humanos, é se adaptar às diversas situações, sejam elas boas ou ruins, é isso que nos faz humanos, e também nos move para trazermos a mudança que queremos. Se nos adaptamos, é porque podemos perseverar sobre aquela situação e mudá-la, para retornamos ao que tínhamos! E o que mostram, é apenas um ângulo.

A sociedade é culturalmente machista, e não se desvaneça e nem desanime com tal constatação, afinal, a cultura é construída por tempos, e o aculturamento também levará mais tempos. Devemos contribuir com efetividade para que ocorra esse fenômeno, para conseguirmos gerar a igualdade entre nós mesmos, independente do gene X ou Y que nos formou no ventre materno, afinal, no princípio somos todos iguais em nossa formação biológica mais profunda, e isso é uma verdade eterna e infinita. Você encontrará muitos homens e mulheres que quebram essa regra e lutam contra isso, esse é o contraponto, fique feliz com isso! E existirão muitas outras diferenças, as quais serão postas à frente, contudo, elas não podem ser motivos de desavença e ódio, e sim de aproximação, conhecimento e interação, unir-se é o mote!

Aceite com tranquilidade que erramos, e em seus erros aprenda a acertar na medida em que podemos refazer o que foi feito do jeito que não se queria. E isso não é um problema e sim uma virtude, a de assumir a si mesmo como alguém imperfeito, o que somos. Não é demérito, não é blasfêmia, é ser humano, ser gente, trabalhar por nós mesmos na medida em que só conseguimos mudar quando focalizamos o que queremos mudar. E isso é primeiro consigo, afinal, não haveria como aconselhar ao outro sobre aquilo que não conseguimos praticar no nosso íntimo.

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Fale, expresse, se mostre, na medida em que as verdadeiras relações são construídas através da transparência e sinceridade que são nutridas com os pequenos atos. A fala é a expressão ímpar disso, é ela que gera a comunicação, o entendimento e a solução do que pode estar ruidoso, problemático. Não, a sinceridade não é falta de educação e sim a amostra de que somos libertos de qualquer trava com a qual devemos viver, lembrando-se sempre de que é você que escolhe se a informação que lhe foi dirigida ofende, machuca, ou não. É você que define as ofensas, e não o outro, sempre você que determinará isso!

Tenha seus gostos, suas predileções, mas nunca as coloque acima de você mesmo, não se torne manada, não perca o controle de você mesmo em detrimento de coisas, as quais nunca gerarão absolutamente nada para si, talvez apenas desgosto. Enxergue as pessoas como pessoas, e não o que elas têm ou o que elas ostentam, humanos merecem mais respeito que objetos, e é por isso que devem ser vistos! Compre presentes lembrando-se da pessoa, independente do que seja, e não pelo valor o qual aquele é ostentado em uma etiqueta, isso é olhar a pessoa e não a coisa! Do mesmo modo, se cerque de gente que goste de você e não dos objetos que lhes cercam, um dia estes irão embora, e as pessoas também. O verdadeiro gostar é permanente e imanente na medida em que independe do ambiente, apenas se gosta, sem condição. Não é o meio que lhe fará e sim você que poderá fazer o meio. Se não se sentir bem nesse meio, mude e vá para outro, você pode!

Lembre-se que não há mal que dure para sempre, nem bem que seja eterno, uma vez que ser humano é ter o equilíbrio, é caminhar no centro , nunca no excesso das coisas na medida em que o excesso é pesado e sobrecarrega. E esse excesso pode ser construído das pequenas coisas, pequenas falas, atos, visões que acumuladas se tornarão grandes e ficarão difíceis de suportar. São as pequenas coisas que geram as grandes!

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Nunca desista do que acredita, e se quiser mudar de crença, não há problema algum, temos a condição de seres pensantes e o direito de mudar! Suas ideias e as crenças pessoais te farão liberta, e a maior liberdade virá com o desafio de poder colocar em prática tudo o que acredita na medida em que a sociedade é movida por aparências constantes e deveres ser sem sentidos lógicos, apenas para ser enquadrado. A zona de conforto não produz, apenas acomoda, e a massificação do contrário disso será a regra que assistirá todos os dias. A transformação só vem com desafio, e nós nos transformamos todos os dias, se quisermos! Recuse o “sempre foi assim” ou “nunca vai mudar”, não levam a nada.

E o mais importante: amor e empatia! Dois componentes que nos tornam capazes de viver de forma tranquila, sem que as nossas decisões, atitudes, acertos, erros, sejam deliberadamente colocados à prova. Forma que possamos conviver com outros sem que se torne disputa e sim convivência, por mais que o outro queira o contrário. Sentimentos que não nos deixam comparar e sim nos fazem perceber e agir, vislumbrar, inserir, contradizer e solucionar! É a essência do que somos, e se perdeu há muito... E lembre-se que o amor é a certeza de que se estará lá, independente da distância ou do físico, é a realidade que existe e não se vê.

Esse é o meu legado, o meu presente que posso lhe entregar, com carinho que lhe dedico diariamente. Não posso lhe projetar nada, afinal, a escolha é sua, mas desejo o melhor independente do que quiser, para que possa, assim, voar!

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Pedro Magyar

"Não apenas estamos no mesmo barco, como todos sentimos enjoo". - Chesterton .
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