sobre as coisas mundanas

Um olhar desapegado sobre o mundo e os mundanos

Pedro Magyar

"Não apenas estamos no mesmo barco, como todos sentimos enjoo". - Chesterton

SOBRE "BRASÍLIA: CIDADE ONDE VIZINHOS NÃO TRANSAM"

No momento em que se concatena um fato acontecido em uma cidade à prática ou não de sexo, se está tergiversando sobre o que é preconceito e discriminação.


Remontando fatos históricos, a cultura subvertida dentro das mentes de diversas sociedades sempre é balizada por conceitos e estereótipos ungidos a fatos que revelam causa única, para que haja a contrariedade vigente. Assim o foi, e o é, na vida cotidiana, se reduzindo a contrariedade a fatos que não fazem o menor sentido, ainda, informando que tal fato gera infelicidade, tristeza, inferioridade, etc.

Hoje, crê-se que a sociedade é um pouco mais evoluída no sentido de combater tais apologias, a fim de se alinhar um pensamento livre e desprovido de preconceitos criados através de estereótipos os quais permeiam o pensamento diário. Exemplos sobre tais situações se tem em demasia, iniciando pelos extremados os quais informavam que os negros não possuíam almas por serem negros, que os judeus são inferiores por serem judeus, que as mulheres não podem votar por serem mulheres, até os mais comezinhos, ilustrando que crianças são inocentes e não são maldosas, que o brasileiro é um povo cordial ou que homens não podem praticar balé, caso contrário são homossexuais.

Nesta mesma linha reside o informe de que Brasília está se calando, ou emudeceu, porque vizinhos não transam. Ainda, segue dizendo que os vizinhos que não transam precisam de silêncio porque vivem em solidão (publicação “BRASÍLIA: CIDADE ONDE VIZINHOS NÃO TRANSAM” destacado em 05/02/2016). Estereótipo construído, baseado no nada, com um peso preconceituoso, o qual generaliza um fato por questões sexuais. Foram, e são, mas não só, as questões sexuais que geraram deturpações no conviver, que criaram, e ainda cria, a discriminação reiterada com homens e mulheres, pela opção sexual, pela visão de fraqueza ou pelo simples fato de não transarem.

Não é uma vida sexual ativa, ou não, que define as predileções pelo silêncio ou barulho, pela opção de estar sozinho ou acompanhado, por ter filhos ou não, por querer casar ou apenas viver affair, ou, simplesmente, se incomodar com o vizinho. É muito rasa e tosca uma visão calçada apenas no fato de se praticar o sexo ou não, aliás, a visão é deturpada do mesmo modo que, no passado, a justificativa para a escravidão era a cor da pele e para o genocídio a crença religiosa. Evoluamos, por favor!


Pedro Magyar

"Não apenas estamos no mesmo barco, como todos sentimos enjoo". - Chesterton .
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