sobre filmes e lobos

Cinema e outras espécies, com um olhar particular sobre esta grande matilha chamada "mundo".

Diego Ribeiro

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Um pátio em Paris e as rachaduras que existem em todos nós

A figura do "pátio" é colocada no filme como um espaço onde todos os personagens se cruzam, e assim todos os seus medos e fragilidades são confrontados quando na presença do outro, e no convívio do coletivo.


dans.jpg O novo filme do diretor francês Pierre Salvadori (o mesmo de "Uma doce mentira" 2010) traz a musa do cinema francês Catherine Deneuve em uma obra belíssima sobre um tema que ainda traz feiura e estranhamento a alguns: a depressão.

dans7.jpg "Um pátio em Paris" conta a história de Antoine vivido pelo ator Gustave Kervern, que está excelente no papel diga-se de passagem. O ator vive um ex-músico que larga a carreira, a esposa e o palco e se refugia em um novo trabalho: o de zelador de um condomínio parisiense. Buscando novos ares e uma salvação para si mesmo Antoine, que abusa do alcóol e das drogas para conseguir se relacionar com as pessoas, conhece Mathilde (Catherine Deneuve) uma recém-aposentada que parece estar ainda aprendendo a lidar com sua nova condição.

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O que o zelador não esperava é que entre a suposta "paz" do edíficio encontraria pessoas tão ou mais fragilizadas do que ele. O seu relacionamento com Mathilde cresce a medida que a senhora utiliza de Antoine como porto seguro para seus devaneios. Ao perceber uma rachadura em seu apartamento Mathilde começa a ficar obcecada pelo assunto, não entendendo que o risco de desmoronamento está em sua própria vida. Cada vez mais a personagem entrará em um estado que beirará a loucura, colocando em risco seu casamento e o relacionamento com todos a sua volta.

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Paralelo a essa que é a principal história, o diretor desenvolve outros personagens também de maneira brilhante. A figura do "pátio" é colocada no filme como um espaço onde todos os personagens se cruzam, e assim todos os seus medos e fragilidades são confrontados quando na presença do outro, e no convívio do coletivo. Histórias como a de um ex-atleta de sucesso que por conta de um acidente agora refugia-se em seu apartamento para cheirar cocaína, a de um "estranho" segurança seguidor de uma seita tão quanto esquisita e a de um morador que é obcecado pelo cumprimento das normas, mostram as diversas facetas humanas expostas cruamente na obra.

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Antoine, ao não saber dizer não, servirá de bengala para esses fragéis humanos que encontram no zelador uma figura na qual se assemelham e em quem podem conversar e se despir do seus medos e fragilidades. Além da história de Antoine e Mathilde, o filme encanta por trazer diferentes narrativas e mostrar a depressão em diferentes níveis. Ao apresentar pessoas que tiveram grandes perdas e a "vida roubada" por motivos diferentes, o filme busca mostrar de que forma nós humanos reagimos quando deparados a uma situação díficil, na qual o sentido da vida parece se esvair pouco a pouco.

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"Um pátio em Paris" é um filme que emociona e que nós faz ver nossas próprias feridas, e talvez se reconhecer em algum dos personagens.

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Encanta por ser uma história palpável, e por nos deixar claro que os problemas ambientando nesse "pátio", feliz ou infelizmente, não se restringem a Paris.


Diego Ribeiro

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