sobre filmes e lobos

Cinema e outras espécies, com um olhar particular sobre esta grande matilha chamada "mundo".

Diego Ribeiro

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A grande aposta – Quando a esmola é demais, o santo desconfia

A obra retoma aos acontecimentos que desembocaram na crise, ou estouro, da bolha imobiliária americana, em 2008. O escândalo dos títulos subprime, diga-se de passagem. Como pano de fundo, para contar esses acontecimentos que mudaram o mundo, o longa traz a história de alguns homens em paralelo, como indicado no início do filme, aqueles únicos que conseguiam enxergar o caos que se formava em meio ao american way of life de ostentação e desperdício.


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A história da crise que abalou a economia mundial, e que até hoje repercute pelos quatro cantos do planeta, ganhou uma versão cinematográfica e digna de Oscar. O filme “A grande aposta” vem com um elenco de peso, atuações impecáveis e um roteiro que prende o público do início ao fim.

Brad Pitt, Christian Bale, Steve Carrel e Ryal Gosling em um só filme já é um bom começo, não é verdade? Porém, o filme não se contenta só com a presença destes grandes astros e se mostra uma obra única, com um ritmo dinâmico onde tudo funciona harmoniosamente como numa boa orquestra, sendo bonito de se ver e escutar.

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A obra retoma os acontecimentos que desembocaram na crise ou estouro da bolha imobiliária americana, em 2008, o escândalo dos títulos subprime diga-se de passagem. Como pano de fundo para contar esses acontecimentos que mudaram o mundo, o longa traz a história de alguns homens em paralelo, como indicado no início do filme, aqueles únicos que conseguiam enxergar o caos que se formava em meio ao american way of life de ostentação e desperdício.

Dessa maneira, vamos pouco a pouco conhecendo a história de Michael Burry (Christian Bale), dono de uma empresa de investimento de médio-porte, e um autêntico nerd que se dá definitivamente melhor com números do que pessoas. Mark Baum (Steve Carell), um autêntico homem de wall street que, ainda preso à acontecimentos do passado, não consegue largar a profissão que causou uma tragédia à sua família. Ryan Gosling (Jared Vennet), um corretor de investimentos que visa unicamente seu próprio enriquecimento e passa longe da ética. O outro personagem é Ben Rickert (Brad Pitt), um ex-guru do mundo financeiro que vive recluso, mas que voltará ao jogo para ajudar antigos pupilos.

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A trama se desenrola a partir do momento que Michael percebe uma falha no sistema, e por sistema entenda como o modus operandi do capitalismo americano. Sem nenhum tipo de controle e fiscalização, os bancos fazem a farra ofertando crédito barato e sem pré-requisitos a milhares de americanos com o propósito de financiar o sonho da casa própria. Com o dinheiro “virtual” saindo do controle, é apenas uma questão de tempo para a inadimplência das hipotecas subirem em solo americano o que derrubaria a economia em escala mundial.

O filme explica didaticamente todos os fatos que levaram a essa crise de maneira paulatina e sistemática, usando de pequenas interrupções na narrativa para explicação de detalhes técnicos de uma maneira lúdica e extrovertida, dando uma singularidade maior a obra.

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A lógica é simples: o sujeito “A” pega muito dinheiro a uma taxa baixa no banco e financia algumas casas onde iram morar os sujeitos “B”, “C” e “D”, que também após um tempo fazem a mesma coisa e assim sucessivamente. Quando o “alfabeto” acaba e o valor das propriedades e prestações não condiz com a renda do povo americano a dívida cresce, e assim alguém tem que pagar a conta.

Infelizmente, como mostra o filme, a população pagou a conta na crise, onde milhões perderam milhões e poucos foram aqueles responsabilizados por tamanho crime.

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“A grande aposta” mostra até onde vai a ganância do ser humano na busca por dinheiro e poder. O filme mostra isso de maneira brilhante, apresentando a falácia da sociedade americana, que ao ser alicerçada em valores que incitam a competitividade e lucro a qualquer custo, criou seu próprio algoz.


Diego Ribeiro

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