sobre filmes e lobos

Cinema e outras espécies, com um olhar particular sobre esta grande matilha chamada "mundo".

Diego Ribeiro

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Joy: Eu não quero terminar como minha família

"Joy" sou eu, é você, é aquela menina que largou a faculdade para cuidar da mãe depressiva. É aquela adolescente que abdicou da sua juventude para cuidar da doença da avó, e aquela mulher que sempre aturou os erros do pai e parece viver aos frangalhos, em pedaços, buscando manter tudo aquilo que já desmoronou, de pé.


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"Eu não quero terminar como minha família". Essa frase dita pela protagonista do filme, Jennifer Lawrence, retrata a magnitude de uma obra tão bela e delicada que é "Joy".

Quantos de nós já nos dissemos isso? Quantas milhares ou milhões de pessoas percebem que aquelas famílias perfeitas provenientes de comerciais de margarina jamais será a sua? Quantos de nós crescemos em lares defeituosos, verdadeiras prisões que minam e sufocam nossos sonhos diariamente? Uma mulher. Uma família. Um sonho. A proposta de "Joy" parece simples e clara, mas é arrebatadora.

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O filme, apesar de contar a história da protagonista, que leva o mesmo nome da obra, trata-se de mim e de você. Pessoas que dia após dia buscam se convencer diante do espelho que sua vida irá mudar, que sua hora chegará e que o que se vive não passa de uma brincadeira de mal gosto feita pelo destino ou forças ocultas.

Desilusão. Dor. Tristeza. Ansiedade. Pressão. "Joy" conta a história de uma mulher guerreira, que ainda menina tinha sonhos como eu e você e os fiava durante a doce inocência de sua infância, sem saber que a vida os arrancaria da sua mão em um piscar de olhos.

O que era um início de uma vida feliz se desmorona com a separação dos seus pais. O pai atencioso e herói se transforma em um ser insensível e alienado; a mãe, outrora provedora e cuidadosa, torna-se um ser em estado catatônico e depressivo e a meia irmã uma inteira competidora.

Sua única fortaleza é a sua avô Mimi. Seus únicos bens são seus filhos. Seu único sonho? Criar coisas que sejam amadas e admiradas por todo o mundo.

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E assim "Joy" persegue, dia após dia, obstáculo após obstáculo, perda após perda, tentando re-significar a sua vida e ir à contramão da sua família que a ver como uma mera dona de casa desempregada.

"Joy" sou eu, é você, é aquela menina que largou a faculdade para cuidar da mãe depressiva. É aquela adolescente que abdicou da sua juventude para cuidar da doença da avó, é aquela mulher que sempre aturou os erros do pai e parece viver aos frangalhos, em pedaços, buscando manter tudo aquilo que já desmoronou, de pé.

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"Joy" é um para-raio da sua própria família. Aquela como muitos que é a primeira lembrada na hora dos problemas e aflições e a última na hora de repartir as pequenas glórias de uma vida conturbada. Ela é a mulher que queria ser menina, que se cansa de ser grande e que, as vezes, acredita que a vida é um emaranhado de problemas diários, mas que porém que no fundo nutre uma fé, tão fraca como a luz de uma vela que a aquece e a move em busca dos sonhos seus.

"Joy" é um lembrete em quase 2 horas de filme que por mais clichê que isso possa parecer: não desista dos seus sonhos, descubra o seu proposito, e que quanto mais o mundo lhe parecer estranho sorria para ele.

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Viva e não deixe que ninguém o faça por você. En-joy!

"Nunca pense que o mundo lhe deve algo, porque não lhe deve nada." (Joy)


Diego Ribeiro

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