sobre filmes e lobos

Cinema e outras espécies, com um olhar particular sobre esta grande matilha chamada "mundo".

Diego Ribeiro

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Quatro paredes, um mundo – O quarto de Jack

“O quarto de Jack” é uma afirmação à vida, é a descoberta pueril de um menino sobre o mundo, o mesmo o qual nos esbarramos todos os dias e onde despejamos tudo que sentimos coisas boas e ruins. É a valoração da vida humana por uma criança que exposta a um sofrimento tão grande no passado, consegue reconhecer a grandiosidade do “estar vivo” enquanto muitos de nós nos perdemos em lamentos e vivências sem algum significado.


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Quatro paredes, uma claraboia, dezenas de objetos e uma sensação: medo.

“O quarto de Jack” é um dos grandes lançamentos dos últimos meses e um filme que merece o mais alto reconhecimento pela sua qualidade estética e artística, além de proporcionar ao público o contato direto com um dos sentimentos mais puros que existe, o amor de uma mãe pelo seu filho.

Claustrofóbico, agoniante e desesperador o longa inicia lentamente, cena a cena, mostrando a rotina de dois seres humanos mantidos em cativeiro: Joy, vivida pela ganhadora do Oscar Brie Larson, e Jack, monstruosamente interpretado por um frágil garoto chamado Jacob Tremblay.

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Joy foi raptada há sete anos quando voltava da escola e há cinco está na companhia de Jack, seu filho, que nasceu em cativeiro fruto de relações não consensuais entre ela e seu raptor, chamado pela vítima de velho Nick (Sean Bridgers). Dotada de uma inteligência emocional e resiliência que não parecem terem fim, a mãe cria todo um novo mundo para seu filho, fazendo-o acreditar que o planeta limita-se apenas aquele quarto e tudo de fora não faz parte da realidade, devido a acontecimentos “apocalípticos” que mudaram o curso da vida.

Apesar dessa fábula e refúgio emocional criado por Joy para que seu filho e ela possam suportar estar ali, a tensão entre raptados e raptor vai aumentando, e o público, aflito, se vê tomado por um sentimento de angústia ao acompanhar o sofrimento de mãe e filho para se libertar daquele cativeiro.

Joy dizia para Jack que aquele quarto era o mundo visando proteger o filho e guardar o sofrimento pra si, preservando a inocência do menino em detrimento da sua própria saúde mental. Ao finalmente conseguirem se libertar, Jack tentará adaptar-se ao novo mundo que se mostra a sua volta, enquanto sua mãe, lutará para se readaptar a uma vida deixada no auge da juventude, onde seus sonhos foram sufocados e transformados em dor e sofrimento diário.

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“O quarto de Jack” é uma afirmação à vida, é a descoberta pueril de um menino sobre o mundo, o mesmo o qual nos esbarramos todos os dias e onde despejamos tudo que sentimos, coisas boas e ruins. É a valoração da vida humana por uma criança que exposta a um sofrimento tão grande no passado, consegue reconhecer a grandiosidade do “estar vivo” enquanto muitos de nós nos perdemos em lamentos e vivências sem algum significado.

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O longa é um convite à vida e uma história linda sobre um amor maternal que conseguiu transpor todas e quaisquer barreiras. Um sentimento que conseguiu se manter vivo mesmo diante da eminência diária da morte, e do abuso sexual e psicológico constante.

Redescubra o mundo junto com Jack nesse incrível filme, mas não se esqueça de levar o lenço de papel, pois o choro é livre.


Diego Ribeiro

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