sobre filmes e lobos

Cinema e outras espécies, com um olhar particular sobre esta grande matilha chamada "mundo".

Diego Ribeiro

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Amor por direito - até quando suportaremos preconceitos?

Começo esse texto sem saber o que falar direito. Quase 24 horas depois ainda tento digerir tanta poesia e emoções variadas que me bombardearam durante quase duas horas de filme, e que filme!
Na sala do cinema o “choro” era livre, e o silêncio mostrava a perplexidade de todos perante uma história real de um amor também real, porém tido como irreal por parte da sociedade.


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Começo esse texto sem saber o que falar direito. Ainda tento digerir tanta poesia e emoções variadas que me bombardearam durante quase duas horas de filme, e que filme! Na sala do cinema o “choro” era livre, e o silêncio mostrava a perplexidade de todos perante uma história real de um amor também real, porém tido como irreal por parte da sociedade.

Duas gigantes em tela apresentam interpretações primorosas: Julianne Moore é Laurel Hester, uma policial extremamente competente e devota ao trabalho que busca ascender na carreira e, por isso, esconde sua sexualidade a qualquer custo; Ellen Page é Stacie Andree, uma jovem mecânica totalmente confortavél com sua sexualidade e que não abaixa a cabeça por isso.

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Os anos 2000 e a cidade de New Jersey são panos de fundo para o desenrolar da história. Laurel conhece Stacie graças ao acaso e, apesar de serem bem diferentes, não apenas pela idade, uma forte atração cresce entre as duas, situação mais difícil para a policial habituada a ser só e a preservar a própria “imagem” acima de tudo. Cena a cena vamos percebendo que o amor fala mais alto entre as duas mulheres. Algum tempo se passa e elas decidem comprar uma casa, com direito a quintal e cachorro, e constituem uma união estável – já que o casamento gay não era permitido até então em algumas partes dos EUA.

Se de um lado vemos amor com o passar do filme, do outro, vemos o ódio e a ignorância, dignas daquelas velhas pessoas preconceituosas que não têm mais espaço em nenhuma sociedade, porém insistem em perpertuar-se como “pragas” infectando e adoecendo qualquer ambiente. Cenas como a da corretora que torce o nariz ao mostrar a casa para as protagonistas e outros diversos dialógos do filme só reiteram a ideia de que a batalha pela igualdade sexual apenas começou e, infelizmente, está longe de acabar.

Apesar de todo o preconceito, Stacie e Laurel seguem vivendo suas vidas até que, de maneira inesperada, o destino lhes prega uma peça nelas: Laurel é diagnosticada com câncer em estado terminal. A sinergia entre as atrizes, que já se mostrava mais do que satisfatória no filme até então, ganha uma proporção absurda. As passagens que mostram a descoberta da doença até a sua assimilação emocionam o público e mostram a força de duas atrizes maduras, talentosas e comprometidas com a qualidade do filme.

Quem achava que a única luta de Laurel seria contra o câncer estava enganado. A partir da descoberta da doença e da iminência da morte, a policial entra com um pedido para que sua pensão pós óbito, direito de qualquer policial, fosse para sua companheira. O pedido segue para ser deferido ou indeferido no conselho local, formado em sua totalidade por homens aristocratas, brancos, heteros e cheios de preconceitos. Neste ponto da história surgem algumas reflexões: se o processo de legalização da união estavél estadunidense era muito mais burocrático do que qualquer casamento hétero, porque o primeiro parece ser irrelevante aos olhos da justiça? Por que os cidadões gays que pagam impostos e contribuem para a sociedade, como qualquer um, são considerados pessoas de segunda classe, ou de classe alguma?

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Laurel tinha um simples pedido. Laurel serviu à polícia do condado por 23 anos de maneira exemplar sendo constatemente elogiada por veículos locais, mas agora a mesma Laurel era, aos olhos da sociedade, lésbica e por isso nada mais merecia. O pedido é então indeferido, e, a partir daí, vemos na tela o desenrolar da luta da protagonista contra o câncer, e a dos amigos e família contra o absurdo da “justiça”. Nesse momento somos agraciados com a entrada na trama do personagem de Steve Carell, que interpretada um ativista pela causa do casamento gay em todos os Estados Unidos mudando a dinâmica de toda a comunidade onde Laurel mora, tornando o seu caso de repercussão nacional.

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O filme é feito na medida certa. Não há exageros seja na trilha sonora, fotografia, interpretações ou em quaisquer técnica. “Amor por direito” mostra o esforço de um casal gay para ter seu direito assistido e provar que merece a atenção do Estado como qualquer outro ser humano. Ser gay nunca foi e não deve ser condição limitante para nada, por mais clichê que pareça todo ser humano deve ter seus direitos garantidos e não ficar refém de uma sociedade conservadora, hipócrita e que está sempre mais preocupada em apontar e olhar para o lado do que olhar para si mesmo.

Olhar pra si requer esforço e coragem. Apenas quando mudamos a nós mesmos, podemos fazer algo signifcativo pelo mundo.

You have the power!


Diego Ribeiro

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