sobre tudo sobretudo.

Estudante de Psicologia. Aspirante das artes e de tudo o que é sentido. Até do mundo.

Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável"

Em especial, para Caetano

Sobre como da música e da literatura, é possível perceber mensagens inesquecíveis. Um agradecimento.


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Antes até de explicar: Obrigada, Charles. Obrigada, Fernando. Obrigada, Caetano.

Com a delicadeza da prudência, achamos muitas vezes que é possível planejar tudo , sem que isso nos renda grandes problemas e assim fazendo-nos alcançar o nosso lugar ao sol, com mais calma. Dessa forma, enfatizamos nas nossas rotinas o que nos produz êxito. O que não deixa de ser um bom caminho, mas não serve pra sempre. Porque mesmo , agindo na prudência há uma hora em que aquilo que foi planejado, não vai bastar.

A incompetência é a mais apertada das camisas que vestimos e ainda assim preferimos por um milhão de vezes, esquecer que a vida pode- e vai- nos conceder tormentas.

O primeiro que eu agradeço e cito é Charles Bukowski. Pela sua frase “Que tempos difíceis eram aqueles, ter a necessidade de viver, mas não a habilidade”. Da primeira vez que a li na vida, eu confesso, não concordei. Pensei : Como alguém pode falar em haver habilidade pra uma coisa tão incerta, que é viver? bukowski-foto-26.jpg

Hoje, eu não me pergunto mais sobre essa parte.Só concordo que esses tempos difíceis de que falou, existem. Também acrescento: eles são o sempre da vida da gente.

Sempre são tempos difíceis, porque a lógica é reclamar do agora. Não sejamos modestos, da arte de ser vítima, todo mundo domina. E ninguém deve saber ao certo, o momento em que se tornou normal ignorarmos que infelicidade não se compara. Todos apenas naturalizamo-nos com isso. Com comparar.

O que é possível enxergar em outro dos seus ditos: “A raça humana exagera em tudo: seus heróis, seus inimigos e sua importância.” E continuamos a viver vendo dificuldade na maioria das coisas.

Obrigada, Fernando Pessoa. Poeta da voz e da vez da alma. Por transformar um dito dos antigos, em poesia. "Navegar é preciso, viver não é preciso". No poema, mudando algumas coisas você adaptou-o á sua maneira de enxergar a vida. Mas, obrigada por dizer que queria o "espírito dessa frase". E também pelo verso da sua poesia em que diz que criar é necessário. Se não fosse, muitos não veriam a verdadeira razão de encontrar maneiras pra tudo.

Não há lei que requeira por um ser humano a sua importância de viver. A volição é de dentro. Não há lei de natureza alguma, que nos proíba de acabar conosco. Ou alguma forma de afirmar que após nascermos, devemos viver até que a saúde e outros fatores nos permitam. Isso não é obrigatório.

Isso é a condição de: querer ou não enxergar o sol nascer por mais um dia.

O “para tanto” mais bonito de todos, é que uma vez não tendo desistido deve haver internamente algo que fez esse leme e a proa valerem o que valem. A gente não rema só por estar vivo, mas o contrário é verdadeiro.

Por fim, Obrigada, Caetano. Especialmente Caetano por envolver isso na música. A tua voz- particularmente uma de minhas preferidas- cantar que navegar é preciso, me anima. Navegar é preciso mesmo. E é pelo ânimo e pela tormenta que a continuidade aparece em nós. Tumultuando as relevâncias e belezas.


Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável".
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