sobre tudo sobretudo.

Estudante de Psicologia. Aspirante das artes e de tudo o que é sentido. Até do mundo.

Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável"

Admiradores (não) secretos de dois extremos

Sobre como nos vemos cada vez mais capazes de esconder nossas intensidades, submetendo-nos a um engano grande. Como isso se naturaliza ao longo dos tempos líquidos em que vivemos, que são só um pouquinho do que nos permitiríamos, se não tentássemos o contrário.


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Uma lição quase que súplice aos nossos olhos que não querem ver, são as nossas próprias paixões. A imutabilidade da essência que nos presenteia com quem somos, permitindo amar o quê e a quem se ama, depara-se com uma outra verdade: O mundo líquido que resistir a tudo isso, nos reserva. Nos tornamos polidos pra expressar o gostar, sentir, amar e até odiar porque vemos na censura uma forma de nos desculpar pelas coisas. As intensidades são disfarçadas por nós, por medo de que não respeitem o que sentimos.

Ou ainda, por medo de que pensem que faltamos com educação. Mas esquecemos que no amor e no ódio, temos as formas mais sinceras de afirmar o que queremos. O maior anseio dos últimos tempos tem sido viver sob a égide da perfeição pública, mesmo que a essência de nós tenha quisto nos dizer o contrário. A felicidade não tem nem ideia do quanto a polidez e a tentativa de perfeição têm estado presentes em nós. E do quanto acreditamos poder nos tornar só aquilo que é prudente dos outros verem. Os escapismos diários denunciam: estamos cada vez mais, nos confrontando com vazios próprios.

Os episódios do amor genital- tipo de amor que em Freud é primeiro o sinal de civilidade no ser humano- podem terminar injustamente, porque não dependem só de nós. Assim como as amizades que cultivamos. Mas a inteireza do ser humano, a relação do que gostou e do que odiou, que faz dele quem é hoje, não tem fim. Jamais. As nossas paixões- sejam elas por pessoas ou não- não trarão nunca uma compreensão menor do que essa, e nos tornam admiradores (menos secretos do que imaginamos) dos nossos afetos e lembranças .

Saber quem é, ou tentar, implica também ter consciência de que a perfeição é inalcançável, e que os meios que achamos pra nos enganarmos sobre isso são vários. O maior desafio de todos tem sido conviver com essa verdade. Pelo menos pelos últimos anos.

As intensidades precisam ser devolvidas, até mesmo pra encararmos que os atos hostis, desmedidos e às vezes não aceitos por nós existem também- e não em menor proporção- no amor. Se não fosse assim não precisaríamos da arte que é o nosso maior exemplo de sublimação, e que transfere o que as pessoas têm medo até de se perceberem sentindo.

Um exemplo sórdido mas verdadeiro: Se pudéssemos ser beleza em tudo, jamais haveria natureza humana. A condição do homem ser o lobo do próprio homem é o mal e a aspereza que cabem nele enquanto tal. Quem diz algo digno de se refletir, é Carl Jung, quando alega que: "Melhoramos o outro através do amor, e o pioramos através do ódio. O que vale também pra nós mesmos.".


Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável".
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