sobre tudo sobretudo.

Estudante de Psicologia. Aspirante das artes e de tudo o que é sentido. Até do mundo.

Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável"

Cartas não enviadas de um medíocre

A carta de alguém que não sabia tudo nem de línguas, nem de matemática, nem de geografia, nem de amor. Nem de nada.


Eu, tu, ele, nós, vós, eles, não precisa ser linguista pra saber. Somar, diminuir e fracionar não é tarefa exclusiva dos matemáticos.

E, nesse intervalo, a gente acha inúmeras outras formas de denominarmo-nos "meios sabedores" de mais de uma coisa.

Temos dois amigos que denunciam isso em nós. São eles: o micro e o macro.

Eles, atestam que a gente sabe menos de um universo inteiro sobre todas as coisas- embora saibamos bastante sobre algumas, e essa equação também seja importante.

Mas, a maior subtração que fazemos diariamente, é sem dúvida a gratuidade da ignorância. A ignorância, infelizmente é a prova de que muita coisa pelo que não nos interessamos, não aprendemos.

Todavia, tentando enumerar os casos de fracasso, a gente poderia lembrar - e lembra- que tem uma coisa que evoca simplesmente um "Ah! Essa sim, afeta geral.".

Ora, se não puder ser o amor parte daquilo que universalmente afeta as espécies- a humana, eu que o diga!- do que mais nós saberíamos tanto e tão pouco ao mesmo tempo?

E o arrepio? A fluidez chamariz com que secreta-se o convite ao prazer, e o prazer propriamente dito. Secreta (e flui), pra ser em segredo? Acho que não! A maioria prefere secretar e fluir compartilhando. Contando tudo e mais um pouco sobre alguns segredos nossos, nós conseguiremos ouvir tropeços nos próprios discursos. Porque a liberdade de falar, é a mesma de saber: não se domina.

Lapidaremos textos. A intertextualidade e o repertório estão aí pra falarmos o micro de várias coisas, sem necessariamente termos o macro na ponta da língua.

Assim fez um homem. Inseguro do quanto sabia da geografia, ao mesmo tempo em que sabia que alguma coisa ele tinha pra falar do amor. Mesmo que a carta nunca fosse enviada.

Nela, dizia:

Destin(atário)o Tra(içoeiro)çado E(sse)xílio D(as)ecretado S(uas)olo C(ostas)aminhado.

Onde o pontilhado feito por mãos lânguidas se perde, eu garanto: não é só em papel. Pele e toque existem tão bem juntos que deve ser pra gente saber desenhar mapas, planejar relevos e medir atmosferas com base em outras superfícies, que não as típicas.

Os esboços: S(olo)uspiros Á(rea) vidos M(ar)oram Á(gua) D(estino)iante. Chegada/extravio, aleatoriedade/orientação, crença/incredulidade, amor/ódio. Tudo isso faz clima.

Arrepio provocado flui como água. Questionar conduz à fontes caudalosas. Sentimento também é oceânico. Derramando pulsão por vias improváveis, desloca a onda.

Verdade não existe só nas chegadas- e às vezes, nem nas chegadas. Rotas não determinam êxito. Achismos parecem atalhos, mas não são.

Não é só o solo que treme com abalos. E quem dera fosse só o ar que nos deixa sôfregos por rarefazer em superfície.

A(l)titudes. Aos montes mais altos, ignorância a gente faz gratuitamente. obvious nova p texto.gif

Posso terminar? Digo: Em qual linha- nos entremeios das vértebras na coluna, braços e ombros eu te espero? Vamos marcar um ponto, pra ninguém se perder.

No território da calma, situado à "várias meias horas" da península de tédio que a gente atravessou juntos naquele domingo. Fica quase inalcançável, mas a travessia leva ao istmo do desejo. Depois, percorrendo um pouco ao norte de eu me demorar nas suas costas, de novo, a gente chega num descanso.

No centro. Isso é: Nem à direita e nem à esquerda de dois peitos se chocando. Um encontro. Uma entrega que jamais será barganha. Finalmente ao ponto, digo, ao porto. Reciprocidade.

Exímio sonhador que é, ele sonha e depois escreve. Faz cartas e as empilha, dentre as outras que jamais se encorajou a enviar . cartas obvious.jpg.


Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável".
Saiba como escrever na obvious.
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