sobre tudo sobretudo.

Estudante de Psicologia. Aspirante das artes e de tudo o que é sentido. Até do mundo.

Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável"

A saia e a saidinha

Um conto de libertação pela saída e pela saia.


Ele fazia as dele. Fazia, falava. E eu passava as minhas. Me chamou de falastrona, por eu saber mais sobre algo do que ele. Antes do mansplaining e da consciência de que isso existe, sempre tá a confusão que a gente faz entre ser tolerante e ter paciência com algo que não queremos por desrespeitar, invadir.

tumblr_m1s09lreWY1qegzomo1_500.png Tive paciência. Até aí eu achava que deveria.

Mas o que me fez perder as estribeiras foi quando ele disse “ Que saia é essa, pra gente ir jantar? Vão te achar uma safada. Devassa. Puta.” Pois ele podia ali, me chamar de qualquer que fosse a figura da saia rodada; não ia ter Marilyn, Juliana Paes; Geisy; ou a minha maior figura de identificação que me fizesse feliz por essa alusão. Eu não ia me sentir lisonjeada. E não é por elas. 28871838_1693620910721637_5026385834073391104_n.jpg

O que me ofende é o cabresto. Comparar-me à força e aos motivos de outra mulher, por mais descabido que pareça, nunca vai ser tão inútil quanto me descer a língua achando que difama. Desgastando a armadura ao mostrar-se desavisado.

Eis, que decidi e disse: “Eu vou sair só.”

“Só?” Disse ele, consternado.

“Só eu e a minha saia. A saia quer que eu saia. Me assanho e vou com ela, que a companhia não aborrece. De “saidinha” tu vai poder me chamar por mais de mês, se quiser. Já que pra ti, eu não volto. Vou pra minha saída. Até mais ver.”


Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável".
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