sobre tudo sobretudo.

Estudante de Psicologia. Aspirante das artes e de tudo o que é sentido. Até do mundo.

Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável"

Carta pra ser lida pelos meus filhos em algum tempo um pouco distante

Ao Brasil. Aos meus. Pais, amigos. Ao meu irmão. Ao V. À Evey Hammond. Ao Fa Zhou e sua grande Mulan. Ao Sirius Black. Ao Sartre. À Maria Ribeiro. Ao Neymar. Aos brasileiros. E, especialmente aos meus filhos, que eu adoraria saber os nomes mas ainda não sei.


Vinte e oito de Outubro. Eu não vou dizer o ano assim, de pronto. Quem quiser e não lembrar, que chute. Vai ser difícil acertar, então, faça uma boa aposta. Bom negócio. Aos meus filhos, se vocês gostarem de história na escola- que eu sinceramente espero que sim- vão dar um jeito de desbravar a referência.

O dia em que o Estado Democrático de Direito Brasileiro elegeu Jair Messias Bolsonaro presidente da República.

Eu sei que vou sempre ter outros modos de me lembrar desse dia. O dia em que eu queria ter parafraseado V, com aquela fala gênia de quando ele disse gloriosamente a Evey Hammond que ideias são à prova de bala. Mas infelizmente, aqui, não são. Ou pelo menos não têm sido.E sob a égide da ignorância, há quem comente que precisamos acordar pro fato de que "gente morre todo dia".

O dia em que eu queria ter parafraseado Sirius Black, dizendo que há forças variadas e opostas em nós, e a questão tá em como a gente escolhe agir. E que o que a gente escolhe, poderosamente define quem somos. Será que o Sirius lia Sartre? O dia em que eu queria ter parafraseado Fa Zhou- o pai da minha amada e atemporal Mulan- dizendo que a flor que desabrocha na adversidade, é a mais bela de todas. Tomara que ela desabroche logo.

Eu tenho sorte de ter convivido com gente muito boa e livre. Não necessariamente nessa ordem. Consequentemente, agarrei a oportunidade de um puta repertório. É natural que não haja nele só personagens mas também inspiração pra todas essas referências. E foi daí, que eu, reles leitora de "Tudo o que eu sempre quis dizer mas só consegui escrevendo" pude parafrasear a Maria Ribeiro. Eu parafraseei a Maria. Que nas páginas dela, parafraseou o Neymar. Que no estádio parafraseou no mínimo o mundo inteiro quando disse a frase mais inteligente, erudita e rica de toda a língua portuguesa: Eu tô aqui. Pois é, Neymar. Pois é, Maria. Pois é, Brasil. Eu também tô aqui. Decepcionada, mas tô.

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Eu que um dia vou pegar meus filhos pela mão e dizer, entrementes, que amar por admirar é mais genuíno do que respeitar por temer. Eu que um dia vou olhar pra meninice deles e ver a olho nu, realizados os meus melhores projetos- Sartre também teria falado assim da sua, eu acho. E minha mãe também acha. E meu pai, também. E pais e mães de tudo que é canto por aí, também acham. Dizem que filho é uma ideia viva. Perspectiva alta do mundo.

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Eu, que vou dizer a eles que todo mundo é gente e que ainda bem que existe gente que gosta e acredita em gente- mesmo sabendo que os animais sempre nos dão aula sobre quase tudo. Pois é, Maria. Pois é, Neymar. Pois é, Brasil. Pois é, pai e mãe. Pois é, meu irmão. Pois é, meus amigos. Pois é, meus futuros filhos que eu adoraria dizer os nomes mas ainda não sei. Eu tô aqui. De luto e luta pelos Direitos Humanos. Espero estar errada sobre tudo o que acho que é possível- e provável- que aconteça. Eu realmente espero estar errada. Enquanto isso, se a gente se topar por aí- em ideia ou em presença- saiba que o que eu mais vou querer falar é:

Vamos juntxs?

Um abraço,

Júlia.


Júlia Rathier

Conhece a si mesma um pouco, e através da escrita cada vez mais. Com o lápis e o papel, se considera apanhadora e livre- ao mesmo tempo- de muitas coisas que não imaginava. Apesar de como todos, ser "insondável".
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